segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mangue Negro


Direção: Rodrigo Aragão
País: Brasil
Ano: 2008




Mangue Negro é o primeiro longa do diretor brasileiro Rodrigo Aragão. Cineasta capixaba que já havia dirigido alguns curtas metragens no estilo trashs: Chupa Cabras (2004),Peixe Podre (2005) e Peixe Podre II (2006). 


O filme se passa em uma região de mangue isolada do mundo moderno, onde a poluição dos manguezais faz com que toda a fauna e flora local acabem e começa a surgir uma “infecção” onde as pessoas viram zumbis, assim como àqueles que são mordidos pelos mesmos. A história é mais centrada em Luis (Walderrama do Santos) que aos poucos vai se tornando um especialista em matar os mortos vivos com seu machado, para proteger sua amada Raquel (Kika de Oliveira).
O filme é bem trash; as atuações são tão péssimas que é difícil achar que não foi proposital. Assim como o roteiro, a fotografia também é precária, percebe-se a falta de cuidado com a luz. Porém o filme ganha pontos positivos na excelente maquiagem e efeitos. Os zumbis são muito bem feitos, temos aqui o uso também de animatronics (animações com recursos mecânicos), tudo feito pelo próprio Rodrigo Aragão.


O filme critica a poluição dos manguezais no nordeste. Outro mérito do filme é a invenção de lendas e folclores brasileiros; temos no filme uma senhora que é uma espécie de oráculo, visionária apocalíptica, profeta, bruxa e conselheira, Dona Benedita também conversa com espíritos e sabe como curar quem foi mordido por um zumbi através do uso do veneno do baiacu.
Mangue Negro, rodado no Espírito Santo e teve um orçamento de aproximadamente R$ 50 mil reais. Fez parte da seleção oficial do Festival Sci Fi de Londres e ganhou prêmio de melhor filme pelo júri popular, melhor diretor estreante e melhores efeitos especiais no Festival Buenos Aires Rojo Sangre, na Argentina.

Gustavo Halfen

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Mestre (The Master)


Direção: Paul Thomas Anderson
País: EUA
Ano: 2013




O diretor Paul Thomas Anderson tem uma breve carreira cinematográfica e já é considerado um dos maiores cineastas da atualidade. Não é por menos, em sua cinematografia temos Boggie Nights, Magnólia (meu preferido), Embriagado de Amor, Sangue Negro e agora, após seis anos O Mestre.


O Mestre conta a estória do início da seita religiosa chamada de Cientologia. Seita a qual possui muitos adeptos hollywoodianos, inclusive Tom Cruise. Freddie Quell (Joaquin Phoenix) marinheiro que ao fim da 2ª Guerra Mundial, fica pulando de trabalho em trabalho criando confusões e se embriagando. Até um dia em que ele se depara com Lancaster Dodd, (o Mestre) (Philip Hoffman), que cria a Cientologia e vê em Freddie uma ótima cobaia para seus experimentos que misturam de certa forma hipnose com viagens interplanetárias através da mente.


Paul T. Anderson, trabalha bem seus personagens; em quase toda primeira hora do filme só é mostrado a trajetória de Freddie, após o termino da guerra. O filme enfoca bem a situação dos soldados que ficam perdidos quando os conflitos se acabam. Joaquim Phoenix faz uma interpretação de marcar sua carreira, dá prazer em vê-lo neste papel, sempre corcunda e com as mãos na cintura em uma posição de dúvida e ao mesmo tempo imprevisível; assim como Hoffman que deixa suas veias faciais saltarem quando seu personagem se irrita.
Toda a parte técnica do filme é impecável; cenas e cortes delicados, dando grande enfoque para a interpretação dos atores, que é o “carro chefe” do longa. A trilha sonora composta por Jonny Grennwood (guitarrista do Radiohead), que trabalhou junto a P. T. Anderson em Sangue Negro, seguindo a mesma linha do filme anterior é impossível deixar de notar. 


A criação de tal seita e a relação de ambos os personagens (Freddie e Lancaster) é o tema de todo o longa, cenas marcantes que misturam comédia, drama, violência e imprevisibilidade, tornam O Mestre em uma verdadeira obra de arte. 

Gustavo Halfen