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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

This is England

Direção: Shane Meadows
País: Reino Unido
Ano: 2006




Ao introduzir os créditos de This is England, nos deparamos com uma Inglaterra tomada pela depressão da Crise do Petroleo de 1979, o descontentamento da população devido a Guerra das Malvinas e o domínio conservador da “Dama de Ferro”, Margareth Thatcher; tudo isso ao som de “54-46 Was My Number” do grupo de skinhead reggae Toots and The Maytals. O Skinhead Reggae também conhecido como Early Reggae foi bastante difundido na Inglaterra no final do anos 1960, principalmente pela classe operária e pelos mods e seus “descendentes, os skinheads. Chamados desta forma devido ao corte de cabelo (raspado), uso de suspensórios e coturnos, os skinheads nada tinham a ver com posição política ou questões raciais; muito pelo contrário, eram apaixonados pelo reggae jamaicano.

O ano é 1983, quando Shaun (Thomas Turgoose), um garoto de 12 anos que perdeu seu pai na Guerra das Malvinas, levanta para ir para a escola, veste suas calças de um número maior e parte. Sofrendo bullying, Shaun encontra conforto ao conhecer um grupo de Skinheads liderados por Woody (Joseph Gilgun), que o acolhem e o levam para caçar, beber e ouvir reggae. O garoto, que agora tem cabelo raspado e coturnos, sente-se pela primeira vez em sua vida parte de um grupo. Não demora para um antigo amigo do bando, que estava preso, retornar. Combo (Stephen Graham) surge com ideais mais politizados para o grupo, discursa sobre o descontentamento da povo inglês e culpa o desemprego da população aos imigrantes indianos, negros e todos os outros que vieram tentar a vida no Reino Unido. Shaun, que não passa de uma criança, passa a conhecer um novo universo, que não deixa de ser uma das diversas vertentes da cultura skinhead.



É notável, mesmo que de forma sutil, que o diretor Shane Meadows nos introduz na cultura da primeira geração dos skinheads, os remanescentes da cultura mod, e sobreviventes do “spirit of 69”, de certa forma em extinção nos anos 1980 em que se passa o filme. Woody e seu grupo, que aglutina também imigrantes jamaicanos, gostam de beber e perambular pela cidade, quando vão na casa de alguém, é perceptível os quadros na parede da produtora Trojan, uma das maiores difusoras do skinhead reggae na Inglaterra e no mundo.

A chegada de Combo, nos leva a segunda geração de skinheads; possuem posição política anarquista, e são xenofóbicos. Se divertem assaltando lojas de imigrantes, bem como agredindo-os física e psicologicamente. Shaun, a princípio não questiona os ideais do novo grupo, porém com o tempo, percebemos que não são só questões político sociais que estão em jogo. Este novo grupo de baderneiros dos anos 1980 são reflexo de toda uma política de guerra e crise econômica que a Inglaterra vinha passando durantes as últimas décadas.

This is England é um filme chocante, que aborda amor, música, comportamento e a política na Inglaterra oitentista. Expõe a cultura skinhead pré racista e suas influências musicais, compara as divergências entre as diferentes gangues da época. Além de possuir um visual white trash, lembrando muito filmes da época.

Gustavo Halfen

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Filhos da Esperança (Children of Men)


Direção: Afonso Cuarón
País: EUA, Reino Unido
Ano: 2006




Afonso Cuarón homenageia seus ídolos da cultura pop em um filme crítico e apocalíptico.


2027, a população humana está tomada por uma desesperança em sua existência. As mulheres não engravidam há mais de 18 anos, e a cada dia a humanidade caminha para sua extinção predestinada. Todo o globo está em guerra, na Inglaterra a xenofobia é cada vez mais agravante, tornando a polícia mais violenta e os ataques terroristas de ativistas mais extremos. Em meio a esta situação está Théo (Clive Owen), um ex-ativista político afastado há 20 anos; ele vive uma vida desacreditada nesse caos, até conhecer Kee (Clare-Hope Ashitey), uma imigrante que está milagrosamente grávida, e precisa fugir da polícia de migração e dos ativistas que querem usar sua criança como uma ferramenta de propaganda.

“Filhos da Esperança” chama atenção pela técnica, referências e pela crítica social, do que pela estória em si. O diretor mexicano já nos presenteia com um breve plano sequência na primeira cena do filme, que acaba se apagando um pouco devido a dois principais planos que vêm posteriormente: dentro de um carro, cinco personagens interagem entre si, filmados por uma câmera que se movimenta facilmente como uma mosca pelo espaço interno do automóvel, ali temos um ataque terrorista ao carro, tiros, sangue e bombas são jogadas contra os personagens enclausurados na frágil viatura; o outro plano, em um cenário de guerra e tiroteios, aproximando o espectador da realidade, seguimos o protagonista Théo se escondendo nos escombros dos prédios tentando encontrar Kee. A cena é longa e a câmera vai ficando cada vez mais suja de poeira, terra e sangue.

O cenário pavoroso que o longa nos insere, se contradiz com nosso protagonista que está acostumado e acomodado com a destruição do planeta, a explicação para tal comportamento vem à tona posteriormente. A justificativa do ambiente assustador que vive a humanidade, além da falta de crianças, é feita pela referência da capa do disco Animals do grupo Pink Floyd; na mansão do primo de Théo, homem influente e curador de obras de arte da humanidade, um balão em formato de porco, idêntico ao da capa da banda britânica, sobrevoa as chaminés. Baseado no livro A Revolução dos Bichos de George Orwell, o disco cita a polícia, os políticos e a população cada um com características de determinado animal, revelando um retrato da ambição humana e o ciclo negro e corrompido que o homem vem passando perante a estória da sociedade. Curiosamente o porco voador está do lado oposto da pintura Guernica, a qual Pablo Picasso retrata pessoas, animais e edifícios apavorados pelo intenso bombardeio da força alemã em Guernica, na Segunda Guerra Mundial. Ou seja, a arte do passado representando o futuro.


Além da música e da pintura, Cidadão Kane também é homenageado. Em certa cena Théo e a possível parteira de Kee, a observam brincando em um balanço do lado de fora, através de uma janela, enquanto discutem o futuro da moça e do bebê em seu ventre. Kee parece tranqüila e disposta a permanecer onde está; a cena lembra quando Cidadão Kane brinca na neve com seu trenó Rosebud, o momento de sua maior felicidade, enquanto seus pais o observam pela janela e decidem seu destino.

Em um futuro onde todos aguardam um milagroso nascimento, Cuarón não podia deixar de fora as passagens bíblicas. A anunciação para o espectador, do primeiro bebê em 18 anos, é feita em um estábulo, rodeado de palha e vacas. O personagem principal é transformado em nosso Messias, nota-se que todos os animais de estimação se apegam a ele, como um amigo da natureza ou do bem. Sem esperança Théo e Kee procuram um navio chamado Amanhã, uma espécie de Arca de Noé que os levará para uma ilha onde existe o Projeto Humano, uma espécie de terra sagrada, onde existe a possibilidade do pródigo bebê crescer em paz.

“Filhos da Esperança” é uma obra pessoal e bastante técnica que se sobressai perante uma estória previsível e pouco original. Mas possui seu mérito pela forma como foi abordada, aproximando o expectador do ambiente apocalíptico seja pela música, pela pintura, pela história do cinema ou pela cultura cristã.

Gustavo Halfen

sábado, 23 de junho de 2012

Cashback


Direção Sean Ellis
País: Reino Unido
Ano: 2006
Nota: 9,0


“É necessário 227,00 kg de força para esmagar um crânio humano. As emoções humanas são bem mais frágeis.” A frase de Bem Willis ao iniciar sua história.


Ben é um garoto beirando seus 20 e poucos anos que acabou de terminar seu primeiro namoro. Após o período de sensação de liberdade, ele vê sua ex namorada com outro cara e começa a se indagar a respeito de o que é amor na verdade. Seus sentimentos de carência, possessão e paixão vem à tona e ele já não dorme mais. Buscando ocupar seu tempo em que antes usava para dormir, Ben começa a trabalhar no período noturno em um supermercado. Diferente das outras pessoas, o jovem possui o poder de parar o tempo.


Contada de forma realmente sincera e lenta, Cashback chega a ser onírico e parece ter sido extraído de um diário de um jovem mal resolvido em suas relações amorosas. O diretor Sean Ellis utiliza metáforas sobre o tempo para expressar os sentimentos do jovem com o coração partido, e abusa da sensualidade do corpo feminino para mostrar o desejo de um homem no ápice da produção de testosterona.

terça-feira, 8 de maio de 2012

A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen)


Direção: Florian Von Donnersmarck
País: Alemanha
Ano: 2006
Nota: 7,6



A Vida dos Outros foi uma tradução bastante satisfatória para a temática do filme. O filme se passa na Alemanha oriental em 1984 e conta a história de um espião da polícia secreta alemã que mantinham uma política de espionagem de todo e qualquer cidadão que podia ter uma suspeita conspiratória.
Este espião (excelente atuação de Ulrich Muhe) passa por uma crise de dualidades entre o bem e o mal, o amor e a repressão. Passando a ter uma relação voyeurística com o casal espionado.
O filme possui um clima cansativo e parado nos primeiros 90 minutos. Sensação que desaparece nos 30 minutos finais, com um desfecho inesperado e feliz, fazendo valer a pena o cansaço inicial.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias


Direção: Cao Hamburger
País: Brasil
Ano: 2006
Nota: 6,4



O filme não ultrapassa expectativas. Serve muito mais como um filme histórico do que um filme artístico em si. Uma boa trilha sonora e..... Não passa disso.
Mas retrata um pouco da realidade vivida nos anos 1970; enquanto o Brasil “desbravava” a Copa do Mundo, muitos jovens contra a ditadura sumiam e/ou eram exilados.
Se você quer ter um pouco da noção do que se passava no ano em que o Brasil ganhou a Copa, fica a dica! Mas não espere mais que isso.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Daft Punk`s Electroma


Direção: Guy-Manuel e Thomas Bangalter (Daft Punk)
País: França/ EUA
Ano: 2006
Nota: 10,0

A luta de dois robôs querendo se tornar humanos. Nesse filme você vê expressão facial em capacetes, você vê a tristeza do preconceito. Você vê a luta de dois caras querendo ser mais humanos em uma sociedade robótica, fria e sem sentimentos.
“Tae” um filme foda!