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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Only God Forgives

Direção: Nicolas Winding Refn
País: França, Tailandia, EUA
Ano: 2013


Depois do sucesso de Drive, primeira parceria do diretor Nicolas Refn com o ator Ryan Gosling, que rendeu o título de melhor diretor de Cannes em 2011 para Refn, o público e a crítica ficaram esperançosos com o retorno da dupla Refn/Gosling em um novo projeto. Porém, o que não se cogitava era que o diretor dinamarquês, após dirigir o pesado e belo Valhalla Rising em 2009 (traduzido no Brasil como O Guerreiro Silencioso), já tinha quase todas as cenas de Only God Forgives na cabeça e, foi convidado pelo ator Ryan Gosling para dirigir um filme nos EUA de um roteiro e estória de terceiros. Ele aceitou e inseriu parte das referências que usaria em “Only God...” no aclamado Drive. A partir desta informação fica mais claro dizer que Drive faz alusão a “Only God...” e não o contrário, embora soe estranho.

Only God Forgives, assim como Valhalla Rising, é uma obra bastante pessoal do diretor; que traz à tona sua crise existencial: medos, crenças, revoltas e redenções, que antes de ter apelo comercial, vêm com o objetivo principal de autocura. Fazendo-se assim óbvia a dedicatória do filme a Alejandro Jodorowsky, diretor de filmes surreais que buscavam uma auto cura e redenção de pesadelos próprios e da humanidade em suas obras.

Na trama, os irmãos Billy (Tom Burke) e Julian (Ryan Gosling), comandam um clube de boxe na Tailândia que serve de fachada para o tráfico de drogas. Após estuprar e matar uma garota, Billy é assassinado por Chang (Vithaya Pansringarm), ex policial e justiceiro de Bangkok. Logo a mãe dos irmãos (Kristin Scott Thomas) aparece em cena e exige de Julian, vingança.


É impossível não notar a fotografia neon do longa, e a utilização intensa de vermelho que exclui quase todas as outras cores do espectro; dando uma visão infernal e onírica de um purgatório, que funciona bem, mergulhando o espectador neste mundo, mas  dificulta a narrativa.

O agradecimento nos créditos a Gaspar Noé e David Lynch, também tornam explícitas as referências utilizadas pelo diretor. A violência extrema e o clima fantasioso do filme confundem o espectador entre o que é sonho e realidade. Vemos Julian tendo devaneios e confrontando sua natureza versus seus princípios, através da relação edipiana e conturbada que possui com sua mãe. Temos também a desconstrução mesclada com a homenagem do confronto entre o bandido e o mocinho em personagens bastante estilizados e caricatos; a espada como arma de luta e a honra em duelos faroeste são referências evidenciadas e intercaladas com a máfia da pollícia de uma Bangkok colorida e neon.

Only God Forgives é uma experiência única, mas que irrita a crítica mais convencional; o filme irritou grande parte da platéia que o assistiu em Cannes. Porém seu humor etéreo garante que nem tudo ali é sadismo. O oitavo filme do diretor, que tem estreia em agosto nos cinemas, se aproxima mais de Valhalla Rising do que Drive, pois aqui o herói está a mercê de um ser superior, que não lhe dá esperança de redenção.


Gustavo Halfen

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O lugar onde tudo termina (The place beyond the piles)

Direção: Derek Cianfrance
Ano: 2012
País: EUA




Seria muito difícil analisar este filme sem liberar alguns spoilers. A obra de Derek Cianfrance é dividida de certa forma em capítulos, tendo algumas reviravoltas. O que me levou a necessidade de citar algumas cenas que podem prejudicar o desenvolvimento do filme, se este texto for lido antes de se ver o filme. Portanto, para um leitor e espectador mais atento, sugiro que leia esta crítica após a sessão de cinema.

I
Ao início temos o corpo malhado e tatuado de Luke (Ryan Gosling) brincando agilmente com um canivete, e como um ser onipotente ele veste sua jaqueta e sai de uma espécie de camarim, se deparando com um público ávido por sua presença que, os desperta aplausos. A câmera o segue pelas suas costas, até ele subir em uma moto e mostrar sua coragem no famoso Globo da Morte de um circo da cidade. Luke é um tigre, com seu corpo tatuado ele demonstra coragem e liberdade em seu olhar.

Após seu show, Luke se encontra por acaso com Romina (Eva Mendes), uma mulher a qual teve um breve caso em um passado não tão distante, e descobre ter um filho com ela. O motoqueiro abandona a vida no Globo da Morte e decide ter um trabalho em que consiga dar condições para que seu filho cresça em um ambiente tranqüilo; “Eu tive um pai ausente e olha o que eu me tornei, não quero que com ele seja assim.” Luke demonstra uma preocupação sincera em relação ao fato de ser pai, mas seu novo trabalho na oficina mecânica de seu amigo Jack (Bem Mendelsohn) não lhe dá condições mínimas para pagar suas próprias contas, e ele decide utilizar sua habilidade de piloto de moto para assaltar pequenos bancos. Com dinheiro na mão a vida melhora, mas sua sede por poder aumenta, e logo ele é morto em uma tentativa de assalto.

Mesmo Luke sendo um bandido, sua sinceridade por dar uma vida tranqüila ao seu filho, torna-nos cúmplice de seus atos criminosos; filmados em plano sequência, além de nos dar a sensação de estarmos no mesmo ambiente do crime, torcemos para que nada de errado aconteça. Quando ele é assassinado pelo policial Avery (Bradley Cooper) na primeira hora do filme, assim como em Psicose (onde Hitchcock mata sua protagonista logo de início), aqui o espectador também se vê perdido, sem ter um personagem para seguir pelo resto da trama.


II
O policial Avery também se vê ferido no acontecimento que levou a morte de Luke, e quando acorda no hospital, é saudado como herói, o qual bravamente matou um delinquente que vivia à beira da sociedade. Porém, a consciência deste “herói (“anti-herói” para nós: espectadores onipresentes), está bastante abalada; primeiro por matar o criminoso sem motivo aparente, e segundo porque descobre que Luke, assim como ele, também tem um filho de colo e, que este crescerá sem conhecer seu verdadeiro pai. A situação se agrava quando descobre seus companheiros de trabalho fazendo parte de uma rede de corrupção que alimenta o crime o qual Avery quase perdeu a vida tentando combater.

É interessante perceber que quando víamos Luke roubando para satisfazer suas necessidades como pai, não sentíamos tamanho remorso que agora nos toma conta ao ver tais policiais abusando do poder para satisfazer seus egos e desejos de ambição. Avery, tomado pela necessidade de limpar sua consciência, decide declarar guerra contra a corrupção da polícia local, tornando-se assim, membro do ministério público do estado de Nova York.

Neste segundo ato, temos um novo protagonista: o policial Avery. Uma nova temática é abordada: a corrupção no meio policial e político; como no segundo Tropa de Elite (José Padilha), onde vemos a criminalidade a partir de um outro olhar em relação ao primeiro filme; uma visão mais ampla, justificando a cascata de crimes até chegar na periferia da sociedade.

III
Passam-se quinze anos, e por uma coincidência do destino, o filho de Avery, AJ, torna-se amigo do filho do falecido Luke, Jason. Ambos não sabem de suas relações do passado; eles estão mais preocupados em ficarem chapados com quaisquer drogas que apareçam na frente, como uma espécie de fuga por sentirem seus pais ausentes de suas vidas, um devido ao trabalho, o outro devido à morte. Os dois jovens se entendem bem, e o longa poderia ter acabado por aqui de forma excelente, mostrando que apesar de toda a luta por um ideal de sociedade, Avery não consegue nem proteger seu próprio filho do submundo das drogas; porém o diretor Cianfrance tem outros planos para o futuro deste dois descomprometidos amigos.

Se em “Namorados Para Sempre” Derek Cianfrande brinca com o universo atemporal, indo e vindo na estória, aqui o diretor demonstra total controle do tempo, que agora é linear, apresentando continuidade através das conseqüências dos atos de um passado que foi densamente evidenciado no primeiro ato.

Com o tempo Jason passa a questionar sua mãe sobre o paradeiro de seu pai, e nós, espectadores, torcemos para que ele saiba que seu pai morreu tentando lhe dar uma vida melhor, mesmo que de forma criminosa (o longa não julga os atos que Luke utilizou para tentar sustentar seu filho). Logo a verdade vem à tona, e não demora para que o conflito do passado coloque na encruzilhada tanto AJ e Jason, como Avery.

Neste terceiro ato, a trama passa a dar ênfase ao drama adolescente, além de revelar o “efeito borboleta”: fatos do passado que repercutem no futuro. Jason passa a ser o protagonista da estória, o espectador se identifica com ele, torcendo para que descubra dentro de si o espírito de liberdade e coragem presente em seu pai.

Cianfrance cria uma rede de intrigas ligadas por acontecimentos em diferentes tempos e personagens; são três contos com protagonistas distintos, que se ligam de forma harmônica em uma estória contínua e bela, onde se questiona e analisa, de forma não julgadora, o crime marginal, a corrupção policial e as consequências de atos que irão repercutir em um futuro inesperado.

Estreia dia 7 de junho nos cinemas!
Gustavo Halfen

sábado, 7 de julho de 2012

Tolerância Zero (The Believer)


Direção: Henry Bean
País: EUA
Ano: 2001
Nota: 6,0


Danny (Ryan Gosling) é um neonazista típico, cabelo raspado, coturno, suspensório, camiseta com a suástica. Ao contrário de seus colegas, Danny não é um ignorante à sua causa; ele conhece toda história do judaísmo, crenças e rituais. Na primeira cena do filme, Danny espanca um judeu e pede para o mesmo bater nele. Bem sutilmente o diretor Henry Bean mostra certa autopunição nas atitudes anti-semitas do protagonista, que em pouco tempo se revela um judeu nazista.


Baseado em uma história de real de um judeu nazista chamado Danny Burros que ao publicarem uma notícia de sua origem na mídia, ele cometeu suicídio. Porém, a história do personagem principal do filme, vai além e mais dramatizada, ela instiga e deixa o espectador surpreso.
Apesar das grandes atuações e da história original, o longa não foge do clichê dos milhares de filmes de dramas judaicos. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Passagem (Stay)


Direção: Marc Forster
País: EUA
Ano: 2005
Nota: 8,5


Dizem que quando uma pessoa está à beira da morte, seu cérebro entra em colapso causando ilusões e confusões. Outros dizem que a passagem da vida para a morte é uma visita a outras dimensões onde diferentes realidades se cruzam. Este é o tema de A Passagem.


Henry (Ryan Gosling) é um jovem problemático que procura o psicólogo Sam (Ewan McGregor) para avisá-lo que se matará em três dias. Obcecado em salvar a vida de Henry, Sam começa uma jornada em busca de todos os dados que levam Henry a querer cometer suicídio. A partir disso, Sam começa a perder a noção de realidade e fantasia.


A Passagem é um filme inteligente, com muitos detalhes que beiram entre as loucuras psíquicas de David Lynch. Com uma edição impecável e atuações fantásticas, o longa mistura suspense e drama com ilusão, confundindo o espectador que terá que notar pequenos detalhes da obra para entrar no universo entre a vida e a morte.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tudo Pelo Poder (The Ides of March)


Direção: George Clooney
País: EUA
Ano: 2011
Nota: 7,5



O que esperar de um filme dirigido por George Clooney, e com atuação de RyanGosling? É difícil sair coisa ruim.
George Clooney é considerado um dos mais influentes homens de Hollywood. Além de já ter atuado em mais de 60 longas, já dirigiu três filmes com sucesso. Tudo pelo Poder é seu quarto filme, e surpreende.
O diretor de comunicação do partido democrata Stephen Myers (Ryan Gosling), acredita fielmente no candidato a presidência Mike Morris (George Clooney), não apenas que ele irá ganhar, mas também que ele irá ser um bom presidente para a nação. Porém, ao se envolver   amorosamente com uma voluntaria do partido Molly, Stephens entra em um labirinto de controvérsia no partido, sendo retirado de seu cargo, e se desiludindo com Morris ele descobre ingênuamente que em meio a política tudo é podre e embarca em uma luta de poderes.
Um filme político, mas sem chatices, com ação, reviravoltas,  excelentes atuações e um final alternativo.

sábado, 12 de maio de 2012

Drive


Direção: Nicolas W. Refn
País: EUA
Ano: 2011
Nota: 9,5



Drive possui uma história simples: um homem solitário faz justiça pelas próprias mãos para defender sua paixão. Porém, o filme vai além de um thriller de ação; é um filme artístico no maior sentido da palavra.
Buscando referências artísticas no embelezamento da violência de Laranja Mecânica (Stanley Kubrick); na violência explícita e inesperada de Taxi Driver (outro filme que tem uma história parecida com Drive); e principalmente na estética dos vídeogames, onde o ambiente é um vácuo brilhante carente de matéria, também muito bem referenciado pelo avatar interpretado por Ryan Gosling; um sujeito frio, calculista e sem muita expressividade nas suas emoções (referência dos western de Sergio Leone).
Um filme para se analisar de forma poética que com certeza será muito referenciado nos próximos filmes.