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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Truque de Mestre: segundo ato (Now you see me 2)



Direção: John M. Chu
País: EUA
Ano: 2016






A sequencia de Truque de Mestre (Now You See Me, 2013) segue o mesmo ritmo do seu antecessor, porém agora, com novas performances dos participantes e novos inimigos, mais ricos e poderosos.



Após alguns anos dos acontecimentos que levaram Thadeus Bradley (Morgan Freeman) para a cadeia, surge agora uma nova brincadeira com os 4 Cavaleiros, que acabam sendo sabotados de sua primeira aparição depois de anos de reclusão. Em uma tentativa de fuga, por mágica (ou não?) o 4 mágicos vão parar em um restaurante na China e tem que lhe dar com situações que vão exigir além de suas capacidades mágica.



Apesar de uma nova direção, “Truque de Mestre: segundo ato” é fiel ao seu primogênito; o ritmo continua frenético e a cada nova cena, se o espectador se distrair, perde o contexto e os truques dos protagonistas. Durante todo o filme o somos enganados, e em seguida são nos dadas às devidas explicações como em uma apresentação de mágica. Um filme que vale a sequencia para os amantes de Copperfield e cia.

Nos cinemas!

Gustavo Halfen

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Godzilla

Direção: Gareth Edwards
País: EUA, Japão
Ano: 2014




Nos anos 1950 no Japão, o país estava devastado pela 2ª Guerra Mundial e vivendo intensamente os horrores causados pelas bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. A censura ocidental impedia os japoneses de produzirem um filme mostrando os horrores causados pelos estadunidenses; com isso surgiu a ideia de Godzilla; um monstro gigantesco mutante em virtude de testes nucleares, que por onde passa deixa medo e destruição.

Em 2013, o diretor Gareth Edwards, já familiarizado com o tema, por seu filme Monsters (2010), é chamado para dirigir o novo Godzilla. O grande desafio deste filme era utilizar a metáfora do ataque nuclear sofrido em 1945 no Japão, homenagear o filme original de 1954, trazer a temática para a atualidade e ainda produzir um blockbuster.

Edwards não só conseguiu este feito como teve a perspicácia de lembrar-nos do acidente em Fukushima em 2011, onde um terremoto de 8,9 pontos na escala Richter, causou um tsunami que abalou as estruturas da Central Nuclear de Fukushima I, provocando vazamento de radioatividade e contaminando a água do mar.

Na trama uma usina nuclear no Japão é destruída por um abalo sísmico desconhecido que causa um tsunami, onde toda a cidade é abandonada devido ao vazamento radioativo. Quinze anos depois, terremotos com o mesmo comportamento voltam a assombrar a superfície da Terra e logo se descobre os gigantes monstros que vêm assombrar a tranquilidade do ser humano.

O diretor não julga Godzilla e seu inimigo natural como seres malévolos, mas sim como seres naturais em sua cadeia alimentar, como o ser humano e as formigas, que as pisa e não sente remorso. Ele demonstra seus tamanhos em movimentos lentos, respeitando suas escalas, e vai expondo Godzilla através de silhuetas e sons que na sala de cinemas com sistema ATMOS cria um hiperrealismo impressionante; aliás o cuidado com o som foi um dos principais impactos desse longa metragem, que deve ser visto com sistema próprio para tal. A trilha sonora referencia, e muito, as músicas de filmes de suspense e terror dos anos 1950, o que nos trás uma nostalgia ainda maior ao ver Godzilla rugindo.

Godzilla não poderia estar em melhores mãos que de Gareth. Seu longa nos põe em perigo, fragilidade e medo, nos lembra do nosso passado assombroso e diverte, como todo bom filme.

Nos melhores cinemas!!

Gustavo Halfen

terça-feira, 8 de abril de 2014

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)

Direção: Steve McQueen
País: EUA, Reino Unido
Ano: 2014




Em 2008, quando o diretor Steve McQueen estreou na direção de longas metragens com o filme Hunger, ficou claro que ali estava por vir um grande mestre na arte de dirigir. Hunger foi visceral, intenso e sem sensacionalismo. Um filme com uma crítica social atual sobre os valores morais que a Irlanda vivia na época. Em 2011, McQueen lança Shame, que assim como Hunger teve as mesmas características de assinatura do diretor; intensidade, arte pela arte, brilho e uma temática polêmica, que no caso foi compulsão sexual. Porém até o momento não se ouvia grandes elogios ao diretor. Foi quando ele começou a dirigir um longa em terras hollywoodianas, e mantendo uma temática forte: a escravidão nos EUA.

12 Anos de Escravidão conta a estória de um negro ex-escravo que vive de forma livre após conseguir sua carta de alforria. Não demora em que ele seja sequestrado e trabalhe de escravo ilegalmente pelos 12 anos do título. Baseado no livro autobiográfico de Solomon Northup, protagonizado por Chiwetel Ejiofor.

Confesso que quando soube que “12 Anos...” ganhou o Oscar de melhor filme este ano (2014), fiquei com um pé atrás. Pois os dois primeiros filmes de Steve McQueen, embora perfeitamente técnicos e sensíveis, não eram o tipo de filmes para Oscar, e sim, para festivais menos populares, embora até melhores; devido ao seu caráter não comercial. E fiquei curioso de saber como o diretor conseguiu driblar a “Academia” para chegar em tal podium.



O elenco, que conta com mestres da atuação na atualidade (M. Fassbender, Paul Dano, Benedict Cumberbatch), faz o seu papel de forma esplêndida, com exceção do ator principal, Chiwetel Ejiofor, que não muda sua expressão facial pelas 2 horas do filme. O visual do filme, os planos e todo o ambiente da região sul dos EUA é filmado de forma belíssima como que fosse uma forma de relaxar os olhos do espectador, que só vê desgraça na vida de Solomon. Porém a estória de Solomon é monótona e repetitiva para uma adaptação (quase) fiel ao cinema. Solomon é sequestrado e escravizado e, claro, só isso já bastaria de sofrimento, pois como disse meu colega crítico de cinema Rodrigo Ramos em relação à escravidão: “Nada, nenhuma palavra, nenhuma ação, nenhuma bolsa família ou cota de faculdade será capaz de reparar os erros grotescos do passado.” Porém nos dias atuais, poucas coisas nos chocam como antigamente; o próprio Mel Gibson ao justificar a violência exacerbada de seu filme A Paixão de Cristo (2004), cita, que cada vez mais temos que exagerar na violência em um longa metragem para que consigamos passar a sensação vivida na cena. E, é exatamente isso que falta em “12 Anos...”. O espectador fica esperando as coisas se desenrolarem no filme, porém pouco acontece. Até mesmo o próprio plano sequência de uma cena de tortura em uma escrava, chega a ser mediano. E o final do filme possui um desfecho sem graça e com atuações medíocres, o que tornou tudo muito vago no longa de Steve McQueen.

No ano anterior, outro longa com a mesma temática foi lançado, Django Livre, que apesar de possuir uma outra forma de linguagem, exibindo violência gratuita, ele consegue ambientar e trazer a nossa realidade o sofrimento que os negros passaram no passado, além de toda a questão de vingança que o público que ver na tela.

Outros filmes muito melhores mereciam o Oscar esse ano e, os próprios longas anteriores de McQueen, também mereciam. Assim como o Oscar, Steve McQueen já foi melhor.

Gustavo Halfen

sábado, 11 de janeiro de 2014

Ajuste de Contas (Grudge Match)

Direção: Peter Segal
Ano: 2014
País: EUA



Ao sair da sessão de imprensa do filme “Ajuste de Contas”, ouvi um dos críticos declamar as seguintes palavras em relação ao filme assistido: “Putz cara, eu não sabia que eu queria tanto ver isso...”. A sensação de nostalgia nas palavras deste estranho sábio, resumiram basicamente o sentimento que todos vão sentir ao sair do cinema após “Ajuste de Contas”.

Na trama, temos em conflito, dois boxeadores aposentados que eram rivais nos anos 1970; Henry Razor Sharp, na pele de Sylvester Stallone e, Billy The Kid McDonnen, na pele de Robert De Niro. Ambos foram campeões de boxe, e só perderam uma luta um contra o outro, e a terceira luta de desempate nunca aconteceu. Porém, é chegada a hora da decisão.



É inconcebível olhar para o poster deste filme e não imaginar o duelo utópico entre Rocky Balboa e Jake La Motta, ambos mestres do boxe movie nos anos 1970. Ao início do filme, temos um resumo do passado dos boxeadores, mostrando em manchetes de tv e capas de revistas, excelentes montagens dos atores hoje “velhacos”, em plena forma, posando para fotos, inclusive flash de suas lutas a trinta anos atrás. O longa debocha de forma escrachada da decadência do homem e suas barrigas salientes, te fazendo rir com detalhes sutis de ambos os atores, agindo de formas contrárias. De Niro é beberrão e irresponsável, está sempre feliz e pronto para o próximo trago. Stallone mantêm-se o “Garanhão Italiano” tímido e centrado, porém com algumas mágoas guardadas no passado. Aos amantes da comédia pastelão, temos o ator Kevin Hart  no papel de Dante Slate Jr, o promotor (vamos assim dizer) de ambos os lutadores, que como em outras comédias, brinca com os costumes e conflitos entre o homem branco e negro.

Por fim, “Ajuste de Contas” é um filme fetiche, para os amantes deste esporte apaixonante que é o boxe, e mistura duas feras de Hollywood, que se divertem zombando uma da outra, além de ironizar a moda das lutas de MMA e a tecnologia exacerbada utilizada pela juventude atual.

Estreia dia 10 de janeiro de 2014, nos melhores cinemas!

Gustavo Halfen

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)

Direção: Peter Jackson
País: EUA, Nova Zelândia
Ano: 2013
  

Na segunda parte da adaptação do livro “infantil” O Hobbit, Peter Jackson deixa de lado o clima ingênuo e pueril, tão enfatizado no primeiro capítulo desta trilogia, para dar mais ênfase ao tom sombrio e as cenas de ação E, não poderia ser diferente, agora Bilbo já encontrou o anel, que desencadeará a trilogia O Senhor dos Anéis, tornando-o um personagem mais sério e ambicioso; aliás, ambição é o principal tema de “A Desolação de Smaug”, Bilbo pelo anel, o anão Thorin pelo seu reinado de volta, Smaug pelo ouro, o elfo Légolas por sua paixão, que não cabe aqui salientar.

É impressionante o quão majestoso Peter jackson conseguiu adaptar o universo de O Hobbit. O que vemos aqui, não são apenas excelentes cenas de ação, atuações e efeitos especiais. “A Desolação de Smaug” é um milagre cinematográfico. Tudo é fantasioso, cada segundo do filme é uma experiência imagética única e alucinógena. Isso sem falar no dragão Smaug que com certeza será o dragão mais fantástico já visto no cinema, além de seu enorme tamanho que nunca cabe inteiro na telona. A dublagem feita por Bennedict Cumberbatch para o Dragão Smaug também e algo que passa uma sensação de onipotência. A cena dos anões fugindo em barris pelo rio Elfico e, as aranhas gigantes é algo extraordinário.




Existe desde “O Hobbit: Uma jornada inesperada” a reivindicação por parte da crítica e dos expectadores em geral, da duração do longa de 161 min. Porém, todas as adaptações cinematográficas de livros, sempre deixam vazios na estória e desagradam à quem os leu. O universo de Tolkien é imenso e rico e, sim, deve ser explorado ao máximo. “A desolação de Smaug” esbanja detalhes que fascina o espectador; nos levando a um mundo fantástico e sonhador. E não é este o verdadeiro sentido do cinema?

Nos cinemas!

Gustavo Halfen

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Elysium

Direção: Neill Blomkamp
País: EUA
Ano: 2013 




Já fazem quatro anos desde que um diretor sul africano, desconhecido, apareceu em parceria com Pater Jackson, trazendo um filme sobre alienígenas parecidos com insetos humanóides, que tomaram conta de Joanesburgo, na África do Sul. O diretor chamava-se Neill Blomkamp e o filme, Distrito 9, que trouxe uma linguagem mais documental em um filme sobre preconceito social, racismo, especismo e indústria armamentista. Por todo esse tempo a ansiedade por um novo trabalho, ou até uma continuação de “Distrito...”, aumentava; e este ano saiu Elysium.

Elysium se passa em 2154, em um planeta Terra devastado e coberto de poluição, onde somente a parte precária da população vive lá. Os mais afortunados moram em uma estação espacial chamada Elysium, próximo ao planeta, onde respiram um ar puro e possuem todo tipo de conforto, incluindo alta tecnologia medicinal. Max (Matt Damon) está doente e precisa chegar a Elysium para curar-se. Porém o transporte até lá é clandestino, e comandado por um homem poderoso no submundo terráqueo, Spider (Wagner Moura), que pede algo de grande valor em troca da passagem “espacial”.


A ideia de Elysium é fantástica! A estação espacial é linda, e seu formato circular referencia a estação espacial de “2001: Uma odisséia no espaço” (Stanley Kubrick, 1968). A separação de classes sociais é clara, e não deixa dúvidas todas as críticas sociais presentes no longa. A polícia, robótica e fria, não perdoa deslizes. A crítica armamentista é tão presente quanto em seu primeiro filme, que é referenciado nas pequenas naves usadas na Terra; as trocas de favores entre governo e indústria são constantes. Neil Blomkamp optou por usar um elenco bem global: Matt Damon e Judie Foster, que são estadunidenses, Wagner Moura e Alice Braga, brasileiros e Sharlto Copley, o personagem principal de Distrito 9, que aqui está irreconhecível, é sul africano. E, não foi à toa esta opção, Elysium explora um ambiente global, onde toda a população mundial está unida contra a elite.

O segundo filme do sul africano, tem muito o que falar, mas pouco tempo para tal. Seus 109 minutos de duração não dão conta do recado, embora possua um elenco brilhante, os personagens são rasos e pouco desenvolvidos. Spider, o papel interpretado por W. Moura, é um personagem interessante e complexo, que merecia ser melhor explorado; isso vale também para todo o grande elenco. Seu desfecho não surpreende, e a perda de um dos protagonistas, acompanhado pela trilha sonora melódica, transforma o longa em um novelão.
As comparações de Elysium com seu antecessor, embora presentes, são desnecessárias; até porque é preciso mais que uma grande ideia e elenco para repetir o grande feito que foi seu primogênito, Distrito 9.

Hoje nos cinemas!

Gustavo Halfen

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Killer Joe – Matador de Aluguel (Killer Joe)

Direção: Willian Friedkin
País: EUA
Ano: 2011





A princípio, ao olhar para a capa e o título de Killer Joe, nos remete obviamente a mais um filme de  ação hollywoodiano, a diferença é quem está da direção: Willian Friedkin, o famoso diretor de um dos filmes mais polêmicos do cinema, O Exorcista (The Exorcist, 1973). Todas as obras de Friedkin vão ao limite do caos e, em Killer Joe não é diferente. Na capa temos um frango empanado no formato do estado do Texas, e você, caro leitor, não tem ideia de onde estes símbolos/objetos irão se encontrar.

Na trama temos Chris (Emile Hirsch) e seu pai Ansel (Thomas Haden Church) contratando o matador de aluguel Joe Cooper (Matthew McConaughey) para matar sua própria mãe e dividirem seu seguro de vida. Porém, como garantia, Joe exige uma noite com a irmã de Chris, a doce e pura Dottie (Juno Temple). A partir disto temos uma rede de intrigas e farsas que levarão o ser humano aos seus maiores pesadelos.



Willian Friedkin brinca com os tabus e debocha do estilo de vida estadunidense. Seu filme foge do cenário comercial, a violência extrema é tão exagerada que caminha entre a comédia e o trash. A desconstrução do modo de vida “americano” é representado pelo próprio frango da capa; enquanto que Dottie, a garotinha de 12 anos nos remete a pureza esperançosa que temos ainda no homem, porém neste povo marginalizado que mata a mãe e vende a irmã, fica difícil achar um herói, e confiar em alguém é enganar a si próprio.

Gustavo Halfen

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Homem de Aço (Man of Steel)

Direção: Zack Snyder
País: EUA, Canadá
Ano: 2013





Particularmente sou fã dos trabalhos de Zack Snyder, suas adaptações de quadrinhos sempre foram ousadas e diferentes da maioria dos filmes de herói clichês de Hollywood. Em 300 (2006), Snyder cria um universo a parte em um filme quase todo gravado em chroma key, assim como a obra prima Watchmen (2009), onde ele abusa do slow motion e utiliza diferentes planos para contar a estória dos heróis e anti heróis dos quadrinhos de Alan Moore, misturando filme arte com entretenimento e agradando os fãs do gênero. Este ano, lança seu sexto filme, em parceria com Christopher Nolan no roteiro e na produção, Homem de Aço (Man of Steel), uma adaptação dos quadrinhos do famoso Super Homem, um herói popular e que vem com um histórico de péssimas adaptações cinematográficas das HQs.

Para adaptar a estória do Homem de Aço, Christopher Nolan, utilizou-se da fórmula usada na trilogia Batman, dirigida por ele mesmo, onde ele tenta adequar a HQ para os dias atuais e aproximando mais o universo quadrinista com a realidade, dando assim características mais humanas aos personagens.



Na trama, o planeta Krypton está com seus dias contados e Jor-El (Russel Crowe), um conselheiro do alto escalão governamental envia seu filho recém nascido, Kal El, para o planeta Terra. Enquanto isso o general Zod dedica-se aplicar um golpe de Estado com o intuito de salvar de alguma forma sua espécie e, tenta sem sucesso impedir que o filho de Jor El viage ao novo planeta. Trinta e três anos se passam e através de lembranças de Kal El, agora chamado de Clark Kent (Henry Cavill), sua estória na Terra é contada, dando ênfase ao seu aprendizado com seu pai terráqueo, Jonathan Kent (Kevin Costner) para controlar seus poderes. Por fim,  chega o momento em que o general Zod, que sobreviveu a explosão de Krypton, vêm à Terra para dominá-la e matar Clark Kent; este terá então que assumir sua verdadeira identidade perante a humanidade, e decidir pela aliança aos de sua espécie ou a salvação daqueles que lhe abrigaram até o momento.

Talvez os fãs mais fiéis do quadrinho do Homem de Aço se decepcionem com as mudanças na estória do herói, que possui uma mitologia conhecida e bem definida, mas com certeza tais mudanças trouxeram uma maior aproximação aos dias atuais, a origem do uniforme, o “S” no peito, e até mesmo algo que pouco se explorava na estória: o impacto na humanidade de um alienígena viver entre as pessoas; essa foi umas características diferenciais do filme. A intenção do pai de Clark em preservar seu filho tentando esconder seu poderes, devido ao medo de a humanidade não aceitá-lo, traz consequências severas na vida do futuro Super Homem, que passa a refletir em até que ponto vale a pena preservar sua individualidade, no entanto, está ideia poderia ter sido mais explorada. Aliás, tudo em Homem de Aço é superficial. É notável a dificuldade de se contar uma estória onde existe muita informação, em contraponto com a duração de um longa metragem. O filme foi feito para os fãs do cinema hollywoodiano, recheado de explosões e efeitos que constatam o poder e a força dos kryptonianos. Impossível não notar as referências de Matrix nas lutas do Super Homem e até mesmo no modo de vida de Krypton apocalíptica.

Foi ousadia de Snyder aceitar dirigir uma adaptação cinematográfica de uma HQ tão difícil de se adequar a sétima arte. Entretanto, “romancezinhos” à parte, comparações com Jesus Cristo, nacionalismo estadunidense exacerbado, apologia à guerra e as armas, tornam o filme infantil e pobre de conteúdo, como quase tudo hoje produzido em Hollywood.



Nos cinemas!

Gustavo Halfen

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O lugar onde tudo termina (The place beyond the piles)

Direção: Derek Cianfrance
Ano: 2012
País: EUA




Seria muito difícil analisar este filme sem liberar alguns spoilers. A obra de Derek Cianfrance é dividida de certa forma em capítulos, tendo algumas reviravoltas. O que me levou a necessidade de citar algumas cenas que podem prejudicar o desenvolvimento do filme, se este texto for lido antes de se ver o filme. Portanto, para um leitor e espectador mais atento, sugiro que leia esta crítica após a sessão de cinema.

I
Ao início temos o corpo malhado e tatuado de Luke (Ryan Gosling) brincando agilmente com um canivete, e como um ser onipotente ele veste sua jaqueta e sai de uma espécie de camarim, se deparando com um público ávido por sua presença que, os desperta aplausos. A câmera o segue pelas suas costas, até ele subir em uma moto e mostrar sua coragem no famoso Globo da Morte de um circo da cidade. Luke é um tigre, com seu corpo tatuado ele demonstra coragem e liberdade em seu olhar.

Após seu show, Luke se encontra por acaso com Romina (Eva Mendes), uma mulher a qual teve um breve caso em um passado não tão distante, e descobre ter um filho com ela. O motoqueiro abandona a vida no Globo da Morte e decide ter um trabalho em que consiga dar condições para que seu filho cresça em um ambiente tranqüilo; “Eu tive um pai ausente e olha o que eu me tornei, não quero que com ele seja assim.” Luke demonstra uma preocupação sincera em relação ao fato de ser pai, mas seu novo trabalho na oficina mecânica de seu amigo Jack (Bem Mendelsohn) não lhe dá condições mínimas para pagar suas próprias contas, e ele decide utilizar sua habilidade de piloto de moto para assaltar pequenos bancos. Com dinheiro na mão a vida melhora, mas sua sede por poder aumenta, e logo ele é morto em uma tentativa de assalto.

Mesmo Luke sendo um bandido, sua sinceridade por dar uma vida tranqüila ao seu filho, torna-nos cúmplice de seus atos criminosos; filmados em plano sequência, além de nos dar a sensação de estarmos no mesmo ambiente do crime, torcemos para que nada de errado aconteça. Quando ele é assassinado pelo policial Avery (Bradley Cooper) na primeira hora do filme, assim como em Psicose (onde Hitchcock mata sua protagonista logo de início), aqui o espectador também se vê perdido, sem ter um personagem para seguir pelo resto da trama.


II
O policial Avery também se vê ferido no acontecimento que levou a morte de Luke, e quando acorda no hospital, é saudado como herói, o qual bravamente matou um delinquente que vivia à beira da sociedade. Porém, a consciência deste “herói (“anti-herói” para nós: espectadores onipresentes), está bastante abalada; primeiro por matar o criminoso sem motivo aparente, e segundo porque descobre que Luke, assim como ele, também tem um filho de colo e, que este crescerá sem conhecer seu verdadeiro pai. A situação se agrava quando descobre seus companheiros de trabalho fazendo parte de uma rede de corrupção que alimenta o crime o qual Avery quase perdeu a vida tentando combater.

É interessante perceber que quando víamos Luke roubando para satisfazer suas necessidades como pai, não sentíamos tamanho remorso que agora nos toma conta ao ver tais policiais abusando do poder para satisfazer seus egos e desejos de ambição. Avery, tomado pela necessidade de limpar sua consciência, decide declarar guerra contra a corrupção da polícia local, tornando-se assim, membro do ministério público do estado de Nova York.

Neste segundo ato, temos um novo protagonista: o policial Avery. Uma nova temática é abordada: a corrupção no meio policial e político; como no segundo Tropa de Elite (José Padilha), onde vemos a criminalidade a partir de um outro olhar em relação ao primeiro filme; uma visão mais ampla, justificando a cascata de crimes até chegar na periferia da sociedade.

III
Passam-se quinze anos, e por uma coincidência do destino, o filho de Avery, AJ, torna-se amigo do filho do falecido Luke, Jason. Ambos não sabem de suas relações do passado; eles estão mais preocupados em ficarem chapados com quaisquer drogas que apareçam na frente, como uma espécie de fuga por sentirem seus pais ausentes de suas vidas, um devido ao trabalho, o outro devido à morte. Os dois jovens se entendem bem, e o longa poderia ter acabado por aqui de forma excelente, mostrando que apesar de toda a luta por um ideal de sociedade, Avery não consegue nem proteger seu próprio filho do submundo das drogas; porém o diretor Cianfrance tem outros planos para o futuro deste dois descomprometidos amigos.

Se em “Namorados Para Sempre” Derek Cianfrande brinca com o universo atemporal, indo e vindo na estória, aqui o diretor demonstra total controle do tempo, que agora é linear, apresentando continuidade através das conseqüências dos atos de um passado que foi densamente evidenciado no primeiro ato.

Com o tempo Jason passa a questionar sua mãe sobre o paradeiro de seu pai, e nós, espectadores, torcemos para que ele saiba que seu pai morreu tentando lhe dar uma vida melhor, mesmo que de forma criminosa (o longa não julga os atos que Luke utilizou para tentar sustentar seu filho). Logo a verdade vem à tona, e não demora para que o conflito do passado coloque na encruzilhada tanto AJ e Jason, como Avery.

Neste terceiro ato, a trama passa a dar ênfase ao drama adolescente, além de revelar o “efeito borboleta”: fatos do passado que repercutem no futuro. Jason passa a ser o protagonista da estória, o espectador se identifica com ele, torcendo para que descubra dentro de si o espírito de liberdade e coragem presente em seu pai.

Cianfrance cria uma rede de intrigas ligadas por acontecimentos em diferentes tempos e personagens; são três contos com protagonistas distintos, que se ligam de forma harmônica em uma estória contínua e bela, onde se questiona e analisa, de forma não julgadora, o crime marginal, a corrupção policial e as consequências de atos que irão repercutir em um futuro inesperado.

Estreia dia 7 de junho nos cinemas!
Gustavo Halfen

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Filhos da Esperança (Children of Men)


Direção: Afonso Cuarón
País: EUA, Reino Unido
Ano: 2006




Afonso Cuarón homenageia seus ídolos da cultura pop em um filme crítico e apocalíptico.


2027, a população humana está tomada por uma desesperança em sua existência. As mulheres não engravidam há mais de 18 anos, e a cada dia a humanidade caminha para sua extinção predestinada. Todo o globo está em guerra, na Inglaterra a xenofobia é cada vez mais agravante, tornando a polícia mais violenta e os ataques terroristas de ativistas mais extremos. Em meio a esta situação está Théo (Clive Owen), um ex-ativista político afastado há 20 anos; ele vive uma vida desacreditada nesse caos, até conhecer Kee (Clare-Hope Ashitey), uma imigrante que está milagrosamente grávida, e precisa fugir da polícia de migração e dos ativistas que querem usar sua criança como uma ferramenta de propaganda.

“Filhos da Esperança” chama atenção pela técnica, referências e pela crítica social, do que pela estória em si. O diretor mexicano já nos presenteia com um breve plano sequência na primeira cena do filme, que acaba se apagando um pouco devido a dois principais planos que vêm posteriormente: dentro de um carro, cinco personagens interagem entre si, filmados por uma câmera que se movimenta facilmente como uma mosca pelo espaço interno do automóvel, ali temos um ataque terrorista ao carro, tiros, sangue e bombas são jogadas contra os personagens enclausurados na frágil viatura; o outro plano, em um cenário de guerra e tiroteios, aproximando o espectador da realidade, seguimos o protagonista Théo se escondendo nos escombros dos prédios tentando encontrar Kee. A cena é longa e a câmera vai ficando cada vez mais suja de poeira, terra e sangue.

O cenário pavoroso que o longa nos insere, se contradiz com nosso protagonista que está acostumado e acomodado com a destruição do planeta, a explicação para tal comportamento vem à tona posteriormente. A justificativa do ambiente assustador que vive a humanidade, além da falta de crianças, é feita pela referência da capa do disco Animals do grupo Pink Floyd; na mansão do primo de Théo, homem influente e curador de obras de arte da humanidade, um balão em formato de porco, idêntico ao da capa da banda britânica, sobrevoa as chaminés. Baseado no livro A Revolução dos Bichos de George Orwell, o disco cita a polícia, os políticos e a população cada um com características de determinado animal, revelando um retrato da ambição humana e o ciclo negro e corrompido que o homem vem passando perante a estória da sociedade. Curiosamente o porco voador está do lado oposto da pintura Guernica, a qual Pablo Picasso retrata pessoas, animais e edifícios apavorados pelo intenso bombardeio da força alemã em Guernica, na Segunda Guerra Mundial. Ou seja, a arte do passado representando o futuro.


Além da música e da pintura, Cidadão Kane também é homenageado. Em certa cena Théo e a possível parteira de Kee, a observam brincando em um balanço do lado de fora, através de uma janela, enquanto discutem o futuro da moça e do bebê em seu ventre. Kee parece tranqüila e disposta a permanecer onde está; a cena lembra quando Cidadão Kane brinca na neve com seu trenó Rosebud, o momento de sua maior felicidade, enquanto seus pais o observam pela janela e decidem seu destino.

Em um futuro onde todos aguardam um milagroso nascimento, Cuarón não podia deixar de fora as passagens bíblicas. A anunciação para o espectador, do primeiro bebê em 18 anos, é feita em um estábulo, rodeado de palha e vacas. O personagem principal é transformado em nosso Messias, nota-se que todos os animais de estimação se apegam a ele, como um amigo da natureza ou do bem. Sem esperança Théo e Kee procuram um navio chamado Amanhã, uma espécie de Arca de Noé que os levará para uma ilha onde existe o Projeto Humano, uma espécie de terra sagrada, onde existe a possibilidade do pródigo bebê crescer em paz.

“Filhos da Esperança” é uma obra pessoal e bastante técnica que se sobressai perante uma estória previsível e pouco original. Mas possui seu mérito pela forma como foi abordada, aproximando o expectador do ambiente apocalíptico seja pela música, pela pintura, pela história do cinema ou pela cultura cristã.

Gustavo Halfen

quarta-feira, 20 de março de 2013

Uivo (Howl)


Direção: Rob Epstein, Jeffrey Friedman
País: EUA
Ano: 2010




Allen Ginsberg, um dos grandes nomes da geração beat, considerado uma das maiores celebridades do século XX, preso certa vez por cúmplice de assassinato, outra por cúmplice de furto; expulso de Cuba e Tchecoslováquia por pederastia e defender a legalização da maconha; ativista político. Seu poema Uivo é tido como um dos mais belos do século passado, juntamente com o livro “Uivo e Outros Poemas” tanto pela sua forma literária como pela espontaneidade e ritmo jazzístico. Esse filme é sobre esse poema.

O longa não chega a ser uma biografia do escritor, é mais uma homenagem e uma obra cinematográfica baseada no seu poema. Temos quatro atos que se mesclam durante o roteiro: Ginsberg, interpretado carismaticamente por James Franco, em seu apartamento, sob uma luz amarelo esverdeada, rompendo a quarta parede e divagando sobre sua vida e obra em uma entrevista para um suposto jornalista; o tribunal onde sua obra “Uivo e Outros Poemas” está sendo julgada por utilizar linguagem obscena; temos em preto e branco o autor lendo sua poesia na Six Gallery em um evento criado por ele mesmo chamado 6 Poets at 6 Gallery e intercalando com todos estes atos temos uma animação com uma livre interpretação de Uivo sendo lido por J. Franco, onde monstros chifrudos soltam fogo pelo nariz e Neil Cassady leva lindas garotas para transar em seu automóvel, em meio a caveiras pegando fogo, jovens transando nas estrelas e paus gozando fogos de artifício no céu.


Em sua casa Allen fala que as pessoas nunca se chocariam com a expressão de um sentimento; se referindo a quando declarou a seus amigos beats que era homossexual. Explica que o início de Uivo é sobre sua paixão e idolatria pela pessoa e artista que Jack Kerouac representava a ele: “...tagarelando, berrando,  vomitando e sussurrando fatos e lembranças e anedotas...” O poeta explica com sua voz rouca e boêmica que os escritores tem idéias preconcebidas sobre o que  é a literatura, e isso os impossibilita de fazerem coisas mais interessantes; anos depois estas mesmas palavras continuam valendo e saindo da boca do chileno artista multimídia Alejandro Jodorowsky, conhecido pela ousadia, linguagem obscena e surrealismo em suas obras cinematográficas.


Ginsberg ainda conta sobre sua obsessão sexual por Cassady, onde em Uivo ele cita: “...Neil Cassady herói secreto deste poemas, garanhão e Adônis de Denver...”, fala sobre o espírito robótico da população estadunidense no universo pós segunda guerra mundial, além de Carl Solomon, amigo que conheceu no hospício (a quem dedica o poema), sua mãe que enlouqueceu e seu demônio interior chamado Moloch.

Percebemos que o fim do inspirado longa vai chegando quando o poeta beat declama sua obra na 6 Gallery em presença de seus amigos e os cita: “...tudo é sagrado. Todo tempo é uma eternidade (referência de Blake). Todo homem é um anjo....A máquina de escrever é sagrada... O Poema é sagrado... Sagrado Peter, Sagrado Allen, Sagrado Solomon, Sagrado Lucien, Sagrado Kerouac, Sagrado Burroughs... Sagrado Cassady...”.


Assim, ao final temos o verdadeiro Allen Ginsberg cantando Father Death Blues, poema feito para a morte de seu pai.

Um filme que é pura poesia! Para àqueles que pouco conhecem a obra e a vida de Allen e a geração beat, eis uma apetitosa oportunidade para tal. Para aqueles que já o conhecem, delírios poéticos e jazz de uma geração desregrada nunca são de mais.

Gustavo Halfen

segunda-feira, 18 de março de 2013

O Vôo (Flight)


Direção: Roberto Zemeckis
País: EUA
Ano: 2012




Roberto Zemeckis conhecido como criador de uma das maiores trilogias cinematográficas já feitas :De Volta Para o Futuro (para mim a melhor trilogia) e também pela direção do memorável Forrest Gump (1994), em 2012 lança O Vôo.
Na trama Whip Whitaker (Denzel Washington) é um maluco junkie e alcoólatra que passa suas noites (e seus dias) entre uma carreira de pó e “uma trepada”. Ao início temos na trilha Sympathy for the Devil dos Rolling Stones apresentando nosso protagonista indo pilotar um avião lotado de pessoas depois de uma noite de farra. O avião está comprometido e Whip faz uma aterrissagem histórica, comprometendo a vida apenas de seis pessoas das 102 que estavam a bordo. Após uns dias como herói, começam a sair processos e investigações a respeito que no ato heróico de Whitaker ele estava sobre efeito de cocaína e álcool.


Nos primeiros 30 minutos do filme julgava-se que fosse um filme abordando se as drogas realmente tiram o foco e deixam um profissional fadado ao fracasso, pois mesmo sobre efeito de tais substâncias, o desempenho do piloto foi fenomenal. Ou se o filme criticasse a criminalização do uso de drogas. Mas não é o que acontece, aos poucos o longa vai tendendo para a ruína do nosso protagonista, sendo abandonado pela namorada, pela ex esposa e até pelo seu filho.
ALERTA DE SPOILER!


E como todo filme hollywoodiano ao final temos a redenção do nosso agora anti-herói e uma lição de moral já tão clichê no cinema estadunidense que quase não vale a pena ter assistido ao novo longa de Zemeckis.

Nos cinemas!

Gustavo Halfen

quinta-feira, 7 de março de 2013

Hitchcock


Direção: Sacha Gervasi
País: EUA
Ano: 2012




Baseado no livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, porém com total liberdade criativa, o diretor Sacha Gervasi explora o lado de vida pessoal de Hitchcock, seu relacionamento com as mulheres e ao mesmo tempo homenageia a obra prima de suspense Psicose.
Logo ao início vemos Hitchcock “na carne” do ator Anthony Hopkins, que está irreconhecível com uma maquiagem um tanto assustadora; dando um ar caricato ao personagem. Hitchcock fala com a câmera e explica o que irá se passar nos próximos 98 minutos do longa, mostrando que o filme tem seu toque de surrealismo.


Na trama, o “mestre do suspense” está em crise; preocupado com a crítica que diz que ele deveria se aposentar. Hitch se sente incomodado e sem inspiração, até conhecer o livro Psicose. Apoiado por sua mulher Alma (Helen Mirren) ele inicia as gravações de Psicose mesmo sem o apoio financeiro dos grandes estúdios. O longa foca bastante em seu relacionamento não tão romântico com sua esposa e seu fascínio por suas belas atrizes. Mostra um lado de Hitch mais cômico: não gostava de fazer dieta e queria atenção exclusiva de Alma durante as gravações.
Com uma trilha sonora cômica e um certo ar maquiavélico, há traços no filme do antigo A Família Adams.


Algumas curiosidades sobre a gravação de Psicose são reveladas e as reações de Alfred na primeira sessão de cinema do seu filme são extasiantes! Porém poucas coisas acontecem durante o filme, dando um certo ar entediante e vazio. Vale como uma comédia autobiográfica e como uma homenagem a sua esposa Alma Hitchcock.

Nos cinemas!

Gustavo Halfen