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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Killer Joe – Matador de Aluguel (Killer Joe)

Direção: Willian Friedkin
País: EUA
Ano: 2011





A princípio, ao olhar para a capa e o título de Killer Joe, nos remete obviamente a mais um filme de  ação hollywoodiano, a diferença é quem está da direção: Willian Friedkin, o famoso diretor de um dos filmes mais polêmicos do cinema, O Exorcista (The Exorcist, 1973). Todas as obras de Friedkin vão ao limite do caos e, em Killer Joe não é diferente. Na capa temos um frango empanado no formato do estado do Texas, e você, caro leitor, não tem ideia de onde estes símbolos/objetos irão se encontrar.

Na trama temos Chris (Emile Hirsch) e seu pai Ansel (Thomas Haden Church) contratando o matador de aluguel Joe Cooper (Matthew McConaughey) para matar sua própria mãe e dividirem seu seguro de vida. Porém, como garantia, Joe exige uma noite com a irmã de Chris, a doce e pura Dottie (Juno Temple). A partir disto temos uma rede de intrigas e farsas que levarão o ser humano aos seus maiores pesadelos.



Willian Friedkin brinca com os tabus e debocha do estilo de vida estadunidense. Seu filme foge do cenário comercial, a violência extrema é tão exagerada que caminha entre a comédia e o trash. A desconstrução do modo de vida “americano” é representado pelo próprio frango da capa; enquanto que Dottie, a garotinha de 12 anos nos remete a pureza esperançosa que temos ainda no homem, porém neste povo marginalizado que mata a mãe e vende a irmã, fica difícil achar um herói, e confiar em alguém é enganar a si próprio.

Gustavo Halfen

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O que traz boas novas (Monsieur Lazhar)


Especial: Competição Oficial do 
3º Festival Internacional de Cinema de Balneário Camboriú



Direção: Philippe Falardeau
País: Canadá
Ano: 2011



 Nunca o tema “escola” foi tão retratado no cinema como nesta última década. Uma temática pouco abordada até os anos 1970 tornou-se mais chamativa em 1982 no musical Pink Floyd The Wall (Alan Parker), e em 1989 no drama “Sociedade dos Poetas Mortos” (Peter Weir). Nos últimos anos com os atentados às escolas nos EUA, a pedofilia e o surgimento do termo bullying, este assunto está em alta e a sétima arte o tem retratado de forma séria e bela; Elefante (Gus Van Sant) em 2003, Entre os Muros da Escola (Laurent Catent) e A Onda (Dennis Gansel) em 2008, e em 2012 “O que traz boas novas”. O longa canadense de Philippe Falardeau exprime como a “morte” é encarada pelas crianças e seus professores nas escolas.

Na trama, Sr Lazhar (Mohamed Fellag) é um argelino que pediu exílio político depois do assassinato de sua família. Assim, foi morar no Canadá disfarçando-se de professor do ensino fundamental que, além de estar atrasado em relação às novas normas e políticas de licenciatura, tem que encarar o fato de estar substituindo uma professora querida entre os alunos que se suicidou na própria sala de aula.


Na busca por superar o trauma de seu passado, Lazhar se identifica com seus alunos, que encaram, cada um de sua forma, o suicídio da professora. O aluno Simón usa a agressividade contra seus colegas na fuga pela culpa que sente pelo acontecimento dramático na escola; ao ter acusado a falecida professora de assédio, quando recebeu um abraço de conforto. Assim, a polêmica entre morte, suicídio, assédio e bullying se entrecruzam na trama.


O professor Lazhar, junto com sua aluna Alice não tem medo de encarar ou expressar seus sentimentos em relação à tragédia. Sua relação com os alunos vai além de ensinar, ele instiga e desperta a capacidade de seus aprendizes; diferente dos outros professores e a coordenadora, que o acusa de desordeiro e provocador.

A sutileza da forma que os assuntos pesados são abordados no longa, tornam o filme leve, e associado às ótimas interpretações, iluminação delicada e a trilha sonora, tornam “O  que traz boas novas” um espetáculo a parte.

Gustavo Halfen

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Komba

Especial: Competição Oficial do 3º Festival Internacional de Cinema de Balneário Camboriú


Direção: Tin Zanic
País: Croácia
Ano: 2011




Participando da Competição Oficial de Curtas Metragens do 3º Festival Internacional de Cinema  de Balneário Camboriú, o curta croata Komba nos traz em seus 14 minutos a tensão de jovens à procura de maconha em plena luz do dia em uma cidade grande.

Miha, um jovem de vida desregrada, recebe a visita de seu suposto amigo Edo; este, está à procura de um baseado, e convence Miha a irem em busca da droga. Porém, ambos os jovens possuem personalidades fortes e acabam entrando em conflito.



O curta tem a característica do cinema underground europeu, bastante câmera na mão e em movimento, fazendo com que o espectador se sinta um coadjuvante na busca pela “mercadoria”. A tensão do dia a dia em sua breve imersão no submundo das drogas, nos lembra a trilogia Pusher de Nicolas Refn (Drive, 2011), onde o comportamento impulsivo dos jovens acaba por acarretar conseqüências que os acompanharão por um bom tempo em suas vidas. O filme nos traz esta reflexão à tona, onde traição e egoísmo complementam sua temática , e deixa em aberto o destino de tais personagens.


Gustavo Halfen

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Beleza Adormecida (Sleeping Beauty)


Direção: Julia Leigh
País: Austrália
Ano: 2011





A diretora estreante Julia Leigh nos apresenta um filme despretensioso, com um tema polêmico, uma bela direção de arte, sobre desejo humano e oportunidades perdidas.
Lucy (Emily Browning) é uma garota com um passado sombrio e pouco comentado, que luta para sobreviver e pagar os estudos. Trabalha como ajudante em um escritório, como faxineira em um bar, como cobaia em um laboratório e como prostituta. Logo a protagonista vê a oportunidade de ganhar dinheiro “fácil” servindo bebidas de lingerie em um clube de velhos ricaços, com o tempo ela “sobe” de cargo e passa a ganhar simplesmente para dormir com os tais senhores; sob efeito de um chá exótico preparado pela “dona” do clube, Clara (Rachael Blake) ela passa as noite desacordada sendo usada e abusada pelos clientes.


O longa possui uma premissa lenta com câmeras sempre paradas com leves movimentos da direita para esquerda (e vice versa). Os excessivos planos sequência exigem dos atores excelentes atuações. Emily Browning está entregue a seu personagem: Lucy é uma garota bastante fria e misteriosa. Ela não possui um objetivo específico e nunca se mostra satisfeita ou insatisfeita, quando queima uma nota de $ 100,00 dólares fica subliminar seu desprezo pelo poder e pela sociedade em si. Seu corpo magérrimo e branco quase sempre nu, combina perfeitamente com o figurino das cenas. Destaque para o monólogo de Peter Carrol; em uma cena onde a quarta parede é rompida, seu personagem filosofa sobre a vida, os prazeres e os arrependimentos de um homem velho.


Beleza Adormecida é um filme para poucos. Um filme que incomoda pela sua falta de pudor e irrita pelo tempo devagar e não linearidade, porém não perde em seu objetivo principal: uma reflexão sobre os prazeres humanos e seus limites.

Gustavo Halfen

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch)


Direção: Zack Snyder
País: EUA, Canadá
Ano: 2011




Em 2004 quando Zack Snyder foi convidado para filmar Madrugada dos Mortoso remake de Despertar dos Mortos  (George Romero, 1978), a crítica e a mídia voltaram-se os olhos para este novo e promissor diretor de cinema; que aumentou sou padrão cinematográfico ao ser convidado para dirigir adaptação dos quadrinhos de 300 e Watchmen, que foram grandes produções de sucesso e com um toque de identidade próprio, criando sua assinatura na sétima arte.


Desde a época de gravação de Watchmen (2009), Snyder já trabalhava em uma idéia própria de um projeto cinematográfico escrito e dirigido por ele mesmo. Trabalho que foi consolidado em 2011 e intitulado Sucker Punch.


A estória começa com a morte da mãe, e a morte acidental de sua irmã pela tentativa de abuso do padrasto; Babydoll (Emily Browning) é internada em uma espécie de hospício e sentenciada a lobotomia. Logo a garota órfã cria um universo em sua mente para fugir da triste realidade e tentar escapar do hospício junto as suas novas amigas.


Como um um mix de várias referências cinematográficas e quadrinistas, em uma época pós-tarantino, Sucker Punch se consolida como uma espécie de Kill Bill pós contemporâneo. Utilizando personagens femininos e temas como lobotomia e criação de universo paralelo para a fuga da realidade, em Sucker Punch temos diversas formas de cenários e temas: samurais com metralhadoras, clones robóticos no estilo Star Wars, 2ª Guerra Mundial com zumbis mecânicos, lindas garotas lutando com metralhadoras e espadas, e até mesmo um mestre guru. A homenagem às diversas formas de mídia nos leva a nova forma de cinema: sem limites, onde o vídeo game, o slow motion, o mangás japoneses estão todos costurados em uma ficção megalomaníaca.


Gustavo Halfen

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Jeff e as Armações do Destino (Jeff Who Lives at Home)


Direção: Jay Duplass, Mark Duplass
País: EUA
Ano: 2011





Jeff Who Lives at Home conta a estória de Jeff (Jason Segel), um jovem beirando seus 30 anos, mas que ainda mora com a mãe, se veste como um adolescente, passa o dia fumando maconha e buscando sinais que o levem ao seu destino ainda bastante incerto. O longa compara a situação do protagonista com uma madeira solta na persiana da janela de sua mãe, a qual a dias insiste para o jovem colá-la no lugar, porém Jeff não se encontra disposto a preencher e/ou resolver o pequeno problema.


Já ao inicio do filme ele explica sua obsessão pelo tema do filme Sinais (M. Night Shyamalan, 2002), onde diversos fatos aleatórios se juntam ao final trazendo à tona a resolução dos fatos. Paralelo a estória de Jeff, está seu irmão Pat (Ed Helms), um homem egoísta e arrogante que está com seu casamento prestes a acabar; e sua mãe que passa por uma crise de meia idade.


Com uma idéia de esperança e homenagem ao filme de Shyamalan, “Jeff...” nos traz uma estória simples sobre destino e de certa forma redenção, costurado a uma trilha sonora singela o longa perde pontos somente no excesso de movimento de câmera e zoons que a princípio soam como originalidade, porém, sem justificativa, tornando-se forçados e desnecessários, parecendo mais um amadorismo cinematográfico.

Gustavo Halfen

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Guerreiro (Warrior)


Direção: Gavin O`Connor
País: EUA
Ano: 2011




Nos últimos anos, esportes de luta como MMA (Múltiplas Artes Marciais) se popularizaram no Brasil e no Mundo e não demorou muito para que a “febre” virasse tema no cinema.


Depois de muitos anos sem ver seu pai, Tommy Conlon (Tom Hardy) decide ir visitá-lo, mas a raiva pelo seu velho, Paddy Conlon (Nick Nolte), por algo acontecido no passado, ainda transborda em seu corpo. E mesmo sem perdoá-lo ele pede para o pai treiná-lo para um grande campeonato de MMA. Paralelo a isso, Brendan Conlon (Joel Edgerton) não consegue pagar suas contas sendo professor de física e com o aviso de despejo, mesmo contra a vontade de sua esposa ele decide voltar a lutar MMA. Os dois irmãos de encontram no campeonato, mas Tommy não esconde a raiva que tem tanto pelo seu pai, como pelo seu irmão e o único objetivo de vencer o torneio é para dar o dinheiro do prêmio à família de um antigo colega do exército com quem serviu no Iraque.


O diretor Gavin O`Connor consegue criar um ambiente dramático mesmo em meio a toda explosão violenta que os filmes com temas de luta possuem. Preocupado com as conseqüências e não com as causas, todo o problema familiar ligando os três personagens soa extremamente complexo; uma mãe vítima de câncer, um pai ausente e alcoólatra, um irmão covarde e fraco (e mala) e o outro forte e indomável. E se por um lado o longa nos tira uma lágrima com o drama familiar, por outro, ele nos tira o fôlego com as cenas de luta no campeonato. Tom Hardy está literalmente um touro indomável, ofegante e violento ele lembra sue papel no filme de Nicolas Refn, Bronson; ninguém consegue segurá-lo no ringue e logo fica claro que ele é quem vai levar título. 

Em contrapartida seu irmão é mais calmo e utiliza da paciência contra seus adversários. Por todo o campeonato é difícil escolher um mocinho na estória e não fugindo dos clichês do gênero, certo momento os irmãos irão se encontrar no ringue e nesse momento Gavin O`Connor nos presenteia com um filme de redenção que até àqueles que não gostam de MMA irão se emocionar.


Gustavo Halfen

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Toda Prova (Haywire)


Direção: Steven Soderbergh
País: EUA, Irlanda
Ano: 2011



Se em “Confissões de Uma Garota de Programa” Steven Soderbergh utilizou uma atriz pornô para o papel da protagonista, em A Toda Prova ele chama para o papel principal a lutadora da MMA Gina Carano.


Mallory Cane (Gina Carano) é uma oficial de operações especiais militares de um grupo privado. Ao ser vítima de uma sabotagem de um dos integrantes do grupo, Mallory agora parte me busca de vingança e respostas.

Embora as cenas de luta corporal (protagonizadas por Gina Carano) sejam bem reais, os personagens são superficiais, e além de um roteiro sem grandes surpresas, a história em si não passa de um clichê barato de filmes de ação. Porém com qualidade a la Soderbergh; que desperdiçou  um grande elenco, que só serviu para atrair público.


Gustavo Halfen

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sala do Suicídio (Sala Samobójcow/Suicide Room)


Direção: Jan Komasa
País: Polônia
Ano: 2011



Dominik é um adolescente rico adaptado a vida moderna: pais ausentes, tendências homossexuais, sofre bullying de vez em quando. Após um incidente (acidente) que mostrou sua atração por um colega da escola, ele se isola no quarto, e na internet encontra uma garota chamada Silvia que lhe inicia em um mundo virtual chamado Suicide Room, onde todos são desgostosos com a vida (real) e falam sobre cometerem suicídio.


Suicide Room, mistura realidade virtual com vídeo game de forma onírica e com o charme das animações japonesas. Dominik passa a viver mais na realidade virtual que na real.
Uma crítica da forma como os pais criam seus filhos hoje em dia, o longa exibe como os jovens se entregam à virtualidade da atualidade procurando formas de se relacionar sem precisar fugir do seu próprio “eu” imposto pela sociedade. Assim como todas estas características sociais podem nos levar a decadência.


O filme polonês é belo e bem feito, com um choque entre a beleza da fantasia e a tristeza da realidade, ele nos soca o estomago e nos faz refletir sobre o impacto da realidade virtual na era pós contemporânea. 


Gustavo Halfen

domingo, 29 de julho de 2012

Sete Dias com Marilyn (My Week With Marilyn)


Direção: Simon Curtis
País: Reino Unido, EUA
Ano: 2011
Nota: 8,5


Baseado no livro de Colin Clark, o longa conta os dias do próprio Colin, ainda um desconhecido jovem de 23 anos que consegue o cargo de terceiro assistente de direção do filme O Príncipe Encantado, do diretor Laurence Olivier, onde a estrela principal é Marilyn Monroe. Aos poucos Colin se aproxima de sua diva e os dois passam uma semana vivendo momentos íntimos que para Colin são inesquecíveis.


Ao olhar para a notória capa onde Michelle Willians irá representar o papel da maior estrela feminina de Hollywood, é impossível deixar a desconfiança de lado, assim como não admirar sua ousadia. Porém em sua primeira aparição em Sete Dias Com Marilyn todo o frio da barriga se vai por água a baixo. M. Willians conseguiu captar todos os trejeitos, voz e sorrisos de Monroe; e logo você só enxerga Marilyn.

Imagem do ensaio de Michelle Willians no papel de Marilyn para  a revista QG. 

Acompanhando passo a passo a ascensão de Colin, o espectador se sente como o personagem, que não quer se entregar ao charme da diva californiana, mas lentamente vai se encantando por sua beleza, seu jeito humano, sonhador, experiente e ao mesmo tempo frágil que a atriz consegue passar para as telas. O longa explora a insegurança de Marilyn ao interpretar no cinema inglês, e sua dependência por barbitúricos, e cessa quando as filmagens de O Príncipe Encantando terminam e Colin nunca mais volta a ver sua deusa hollywoodiana.

Comparação de atriz M. Willians no papel de Marilyn e da própria diva do cinema.

domingo, 22 de julho de 2012

Heleno


Direção: José Henrique Fonseca
País: Brasil
Ano: 2011


Heleno de Freitas foi um jogador de futebol conhecido nos anos 1950 e considerado o jogador mais caro na America Latina na época.
Baseado na vida do jogador, o longa nos remete ao passado pelo preto e branco belíssimo enfatizando o charme da época e de Heleno (Rodrigo Santoro) com uma trilha e um figurino elegante.


Intercalando a fase de glamour do jogador, com sua época de total loucura em uma clínica, o longa nos mostra detalhadamente a inflação do ego de Heleno, seu temperamento explosivo e de difícil relacionamento com seus colegas de campo, seu vicio por éter e o inicio da loucura.


Utilizando breves referências que nos remetem ao cinema noir, o diretor José Henrique Fonseca nos contempla com enquadramento recheados de sutilezas e ao mesmo tempo com uma perplexidade reveladora em cada close do rosto de Rodrigo Santoro.
Um filme charmoso e delicado sobre o delírio do primeiro “craque problema” da estória do futebol brasileiro.