Mostrando postagens com marcador País: Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador País: Brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Caseiro

Direção: Julio Santi
País:  Brasil
Ano: 2016 



Davi (Bruno Garcia) é um professor de psicologia que estuda casos de pessoas que acreditam verem fantasmas. Certo dia é instigado, por sua aluna Renata, a visitar o sítio de sua família, onde acredita ser assombrado pelo espírito do antigo caseiro da casa, que se matou. A partir disso Davi se depara com situações que irão fazê-lo repensar em toda a obra estudada durante sua carreira de professor e escritor.


O Caseiro é o segundo longa metragem dirigido por Julio Santi. Nesta história, que mistura fantasia com realidade, Davi começa como um observador externo e aos poucos vai interagindo com os personagens presentes no sítio de Renata. O diretor não tem pressa com o roteiro, sua estória é contada detalhadamente de forma madura e assombrosa, deixando o espectador curioso e instigado.

Para os amantes de filmes de espíritos e fantasmas, O Caseiro é um deleite, assim como para os apreciadores de filmes de investigação e suspense, como eu, caro leitor. Falando em suspense, vale lembrar que o clima do filme evoca, de certa forma, a direção de M. Night Shyamalan, principalmente em Sexto Sentido, onde o personagem analisa os fatos de fora e também acaba interagindo intensamente com o ambiente, antes extrínseco.


Todos os personagens de O caseiro são bem desenvolvidos, e apresentam uma ambiguidade relevante neste tipo de filme. O defeito do filme, além de alguns efeitos especiais não convincentes, são alguns diálogos pobres, junto com uma desagradável direção de atores, que parecem tentar explicar o filme através de diálogos nada habituais no dialeto nacional. Fora isso, a obra de Julio Santi merece ser assistida várias vezes, em razão da quantidade de detalhes que fazem a diferença no seu desenrolar final.

Estreia dia 23/06/2016, nos melhores cinemas!

Gustavo Halfen

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Mais Forte que o Mundo - A História de José Aldo

Direção: Afonso Poyart
País: Brasil
Ano: 2016







José Aldo (José Loreto), filho de família pobre, foge da vida dura de Manaus para tentar a vida no Rio de Janeiro. Morando em uma academia de MMA, sua técnica e perseverança chama atenção de seu treinador Dedé (Milhem Cortaz), que vê nele um grande lutador em potencial. Entre crises e traumas, José Aldo se torna o maior lutador de MMA do mundo em sua categoria.



O diretor de cinema Afonso Poyart chamou atenção inclusive de produtores de Hollywood, a partir de seu filme de estreia “2 Coelhos”; devido a semelhança de direção com o diretor Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes). “Com Mais Forte que o Mundo”, ele segue esta mesma linha, porém com mais amadurecimento.

No primeiro ato do longa, Aldo enfrenta uma vida dura em Manaus, a violência de seu pai alcoólatra (ótimo trabalho do ator Jackson Antunes) em casa, e seu alter ego Fernandinho, papel interpretado belissimamente por Romulo Neto. Caro leitor, perceba que Fernandinho age como um colega de treino de jiu-jitsu, e compete com Aldo a namorada, além de desafiá-lo ao limite. Vale atenção a referencia do combate entre ambos, onde em meio a chuva e slow motion, gotas de sangue se misturam a pingos de chuva, e bochechas vibram a cada soco, como na cena final de Matrix Rovolution.



A partir do segundo ato, José parte para o Rio de Janeiro, onde conhece sua futura esposa Viviane (Cleo Pires), e inicia uma vida digna de um vencedor, mantendo dois trabalhos, treinando e competindo; as oportunidades começam a aparecer e em poucos anos Aldo atinge o auge de sua carreira, que conseguiu manter por notáveis  10 anos, tornando-se o maior lutador de MMA da categoria peso pena.

Mais Forte... é um filme que merece ser assistido, Poyart não foca tanto nos treinos e lutas do protagonista, mas sim em seus traumas, crises e principalmente na disputa com o alter ego de Aldo. Ponto positivo para o longa. Que agrada na trilha sonora recheada de Jorge Ben à Os Mutantes e em ângulos de planos ousados e modernos, como prender uma go pro em uma corda enquanto Jose Aldo pula a mesma.

Estreia dia 16, nos melhores cinemas!!

Gustavo Halfen

sábado, 15 de junho de 2013

Boa sorte, meu amor

Especial: Competição Internacional de longa metragem do
Festival Olhar de Cinema de Curitiba


Direção: Daniel Aragão
País: Brasil
Ano:2012



Não é coincidência que “Boa sorte, meu amor” tenha passado em sua segunda sessão no Festival Internacional de Curitiba; cidade fria e solitária, exatamente no dia 12 de junho, dia dos namorados. Classificado pelo diretor como um “anti romance” autobiográfico, “Boa sorte...” retrata um improvável romance buscado pelo protagonista Dirceu, como desculpa para uma busca de autoconhecimento, revelando uma breve história dos moradores de Recife e sua relação com o passado latifundiário no sertão nordestino.

Dirceu, descendente de uma família latifundiária do sertão, tem uma vida estável na capital pernambucana, até conhecer Maria, uma artista questionadora de sua realidade atual. A diferença entre os dois fará Dirceu perseguir novos horizontes em uma saga por um sertão surreal e onírico, onde a realidade e a ficção se confundem.

Em seu primeiro longa metragem, Daniel Aragão homenageia seu leque de referências, em um filme fetichioso, dando ao espectador um deleite aos olhos apurados, e ao mesmo tempo instigando os ouvidos em uma trilha sonora que caminha entre o blues e o clássico, com sinfonias de metais com acordes dissonantes e duvidosos; além de possuir um som diegético peculiar: as falas possuem um volume pouco intenso, se contrapondo com a trilha, que é extremamente alta.


As referências de cinema e música chegam a ser exageradas; temos a vida noturna dos anos 1960: seios expostos e lábios carnudos em closes fetichistas, misturados a chicotes e zooms rápidos lembrando clássicos de faroeste. Experimentamos a sensação de um preto e branco bastante contrastante, como nos filmes de Fellini, a luz expressionista dá uma qualidade irracional e onírica; meninos mergulham em um rio aparentemente sem sentido, o silêncio em algumas cenas parecem desconstruir a narrativa, confundindo o espectador, lembrando até mesmo os filmes surrealistas de Buñuel.

Gustavo Halfen

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Menino do Cinco / Filme Para Poeta Cego

Especial: Competição Internacional de Curta metragem do
Festival Olhar de Cinema de Curitiba


Os curtas brasileiros estão em destaque no Festival Internacional de Cinema de Curitiba. “Menino do Cinco” e “Filme Para Poeta Cego” criaram uma sensação de desconforto na última sessão de curtas desta terça feira (11 de junho) do evento.


Menino do Cinco
Direção: Marcelo Matos de Oliveira, Wallace Nogueira
País: Brasil
Ano: 2012



“Menino do Cinco”, curta de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira, inicia-se como uma jornada infantil de um menino e seu animal de estimação. Mas logo percebemos uma análise comparativa entre crianças de vivem nas ruas, acostumadas com a interação das grandes metrópoles, e meninos que moram em seus apartamentos de classe média alta, nas grandes cidades; mais precisamente, como um dos diretores citou em entrevista: “meninos de rua e meninos sem rua”. A possessão por objetos materiais e acondicionamento da solidão para aqueles que vivem trancafiados, destaca-se no filme, que embora tenha cenas que seriam de apelo àqueles que gostam de crianças e filhotes de cães, aqui, a possibilidade de surpreender-se com um trágico acontecimento de um dos supostos vilões da jornada infantil, que não cabe aqui, caro leitor, revelar seu desfecho final, traz uma reflexão do comportamento das diferentes classes sociais neste Brasil continental.


Filme Para Poeta Cego
Direção: Gustavo Vinagre
País: Brasil
Ano: 2012




Talvez o filme mais ousado do festival, “Filme Para Poeta Cego”, causou constrangimento na sala de cinema do Shopping Crystal em Curitiba. Baseado na obra artística do poeta cego, sadomasoquista e pedólatra Glauco Mattoso, o diretor Gustavo Vinagre cria uma obra que, como seu sobrenome, pode soar azeda para a maioria das pessoas. Na trama temos um falso documentário, onde Glauco contrata um ator para satisfazer seus fetiches. Deglutir fezes, lamber solas de sapato e se queimar com cera de vela quente, são alguns dos prazeres tortuosos os quais nosso triste ator implora para acabar. Na sala de cinema escutava-se risadas macabras e forçadas, além de gemidos e movimentos dos espectadores, que não conseguiam encaixar uma posição confortável nas poltronas do cinema. Não que as cadeiras do Cinema Itaú sejam desconfortáveis, nem que o curta metragem tenha cenas explícitas; a sacada de Gustavo Vinagre foi apenas sugerir tais acontecimentos na tela, deixando livre a interpretação do público que, sem exceções, mostrou-se de mente suja e perversa, dando orgulho ao meu chará, diretor de sobrenome de tempero forte. “Filme Para Poeta Cego” é atrevido e audacioso, quebra paradigmas e conceitos sociais, sem julgar. Caminha na contramão da maioria dos filmes do festival que, sem medo de ser vaiado, dá um tapa na cara da sociedade. E, não poderia ser diferente, pois a poesia de Mattoso cita: “Não creia em tudo aquilo que está lendo, Duvide até da própria assinatura (...) Se ser um masoquista é que ele jura, No máximo masturba-se escrevendo (...)”. 

Gustavo Halfen

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Matéria de Composição

Especial: Competição "Olhares Brasil" de longa metragem do
Festival Olhar de Cinema de Curitiba


Direção: Pedro Aspahan
País: Brasil
Ano: 2013




O processo de composição de uma trilha sonora experimental, visando a música erudita como meio (ou limite) para tal, através de um filme pronto, não é fácil. A proposta de Pedro Aspahan foi gravar um vídeo de aproximadamente oito minutos, filmando a desconstrução de casas,  retirada de portas e janelas e, assim entregar o curta metragem editado para três diferentes compositores, acompanhando o processo de criação, ensaio, gravação e edição da trilha para o produto final.

Matéria de Composição retrata com uma seriedade exacerbada as diferentes formas de criação e interpretação de distintos inventivos compositores de música erudita. Parece-me que a ideia do longa mineiro foi passar a sensação de quão trabalhoso é o processo de interpretação até a gravação final da trilha, passando para o espectador as diferentes viagens sensoriais de uma mesma imagem na tela. O erro do diretor foi tentar uma maior aproximação a um público leigo em relação à música erudita. O longa tornou-se tedioso com closes, enquadramentos e travellings desnecessários, trazendo uma sensação desgastante a quem o assiste. A defesa de usar somente música contemporânea na trilha, deixou-me a impressão limitante em relação ao processo de composição, que poderia ter misturado um leque mais amplo de estilos musicais, aproximando o público, não só como forma de educação, mas também como entretenimento cinematográfico.

Gustavo Halfen

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Cores


Direção: Francisco Garcia
País: Brasil
Ano: 2013





Em seu primeiro longa metragem, o diretor Francisco Garcia homenageia as gerações nascidas nos anos 1980; jovens que acompanharam a chegada da globalização e da internet em suas vidas, porém não abandonaram a televisão. Embora exista a facilidade de acesso às diversas atividades, o comodismo se sobressai nesta geração, que não quer se assumir como deprimida, afogando suas angústias em uma lata de Coca Cola. “Cores” não os retrata na forma de uma crítica social, mas sim em uma compilação poética e bela.

Luca (Pedro di Pietro), Luiz (Acauã Sol) e Luara (Simone Iliesco) são amigos, talvez não pela afinidade de gostos, mas por um comodismo em comum. Luca, mora com a avó e tem um estúdio de tatuagem pouco ativo. Luiz trabalha em uma farmácia, entretanto sobrevive com a venda ilegal de “tarjas pretas”. Luara é vendedora em uma loja de aquários, tem uma imensa vontade de viajar, mas imersa em seu aquário mundo, todos giram, ela não.


Referenciando a obra cinematográfica de Jim Jarmusch, o principal elemento de “Cores” é o tédio; como pano de fundo temos a cinzenta São Paulo, aviões decolam e pousam na capital, entretanto a vida do trio, retratada metaforicamente na forma da tartaruga de estimação de Luca, é devagar e preguiçosa. A câmera de Garcia segue a mesma preguiça, grande parte do filme ela fica estática, fotografando belos planos em PB, recheados de cultura pop nas entrelinhas, num excelente trabalho do diretor de fotografia Alziro Barbosa. 


Frequentemente o cinema nacional enfatiza o submundo de forma crua e suja, em tons sombrios, “Cores” vêm na contramão desta tendência. O cuidado com a fotografia embeleza a decadência, além de poetizá-la, dando a sensação não de um julgamento, mas sim de uma homenagem à geração que nasceu no pós punk brasileiro e ao tédio neo existencialista que se apossa da juventude.

Gustavo Halfen




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mangue Negro


Direção: Rodrigo Aragão
País: Brasil
Ano: 2008




Mangue Negro é o primeiro longa do diretor brasileiro Rodrigo Aragão. Cineasta capixaba que já havia dirigido alguns curtas metragens no estilo trashs: Chupa Cabras (2004),Peixe Podre (2005) e Peixe Podre II (2006). 


O filme se passa em uma região de mangue isolada do mundo moderno, onde a poluição dos manguezais faz com que toda a fauna e flora local acabem e começa a surgir uma “infecção” onde as pessoas viram zumbis, assim como àqueles que são mordidos pelos mesmos. A história é mais centrada em Luis (Walderrama do Santos) que aos poucos vai se tornando um especialista em matar os mortos vivos com seu machado, para proteger sua amada Raquel (Kika de Oliveira).
O filme é bem trash; as atuações são tão péssimas que é difícil achar que não foi proposital. Assim como o roteiro, a fotografia também é precária, percebe-se a falta de cuidado com a luz. Porém o filme ganha pontos positivos na excelente maquiagem e efeitos. Os zumbis são muito bem feitos, temos aqui o uso também de animatronics (animações com recursos mecânicos), tudo feito pelo próprio Rodrigo Aragão.


O filme critica a poluição dos manguezais no nordeste. Outro mérito do filme é a invenção de lendas e folclores brasileiros; temos no filme uma senhora que é uma espécie de oráculo, visionária apocalíptica, profeta, bruxa e conselheira, Dona Benedita também conversa com espíritos e sabe como curar quem foi mordido por um zumbi através do uso do veneno do baiacu.
Mangue Negro, rodado no Espírito Santo e teve um orçamento de aproximadamente R$ 50 mil reais. Fez parte da seleção oficial do Festival Sci Fi de Londres e ganhou prêmio de melhor filme pelo júri popular, melhor diretor estreante e melhores efeitos especiais no Festival Buenos Aires Rojo Sangre, na Argentina.

Gustavo Halfen

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Paraísos Artificiais


Direção: Marcos Prado
País: Brasil
Ano: 2012




Paraísos Artificiais retoma um tema muito presente na ultima década, principalmente para os jovens de classe média que moravam próximo ao litoral. Quem nunca ouviu falar da tão esperada festa Universo Paralello que acontecia (e ainda acontece) no nordeste brasileiro? Lá todos são iguais, somente com roupa de banho, todos saúdam o sol, o mar e a juventude; um mundo paralelo recheado de sexo, música eletrônica e drogas.


Na trama Nando (Lucas Bianchi) começa a freqüentar festas eletrônicas e usar drogas nas mesmas. Com o tempo ele passa a trazer para o Brasil ecstasy da Holanda. Em uma de suas viagens, Nando conhece Érika (Nathalia Dill), DJ brasileira que toca na Europa, ambos passam por um relacionamento bem intenso, até que Nando tem que voltar pra casa com a “mercadoria”; na vinda ele é pego pela policia e condenado a quatro anos de prisão.


Toda a estória envolve também amigos de Nando e a antiga namorada de Érika: Lara (Lívia de Bueno). Durante o filme vemos o universo da musica eletrônica retratado de forma bem sincera e sem julgar o uso abusivo de droga, por exemplo. Os maiores problemas envolvem a índole dos personagens antes de qualquer coisa, onde a busca por um paraíso natural é mais que distante. O filme é recheado de lindas imagens e paisagens, a música e os efeitos da drogas tomadas pelos personagens são bastante agradáveis aos olhos e ouvidos. A forma como a estória se desenrola é interessante e curiosa e ficam alguns pontos a se pensar.
O grande erro do filme são as atuações superficiais e mal dirigidas; os diálogos são descartáveis e a falta de sinceridade dos personagens prejudicou bastante a obra.

Gustavo Halfen

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Corações Sujos


Direção: Vicente Amorim
País: Brasil
Ano: 2012



Após Segunda Guerra Mundial, o Brasil abrigava a maior colônia de japoneses do mundo. Provindos de um país repleto de diferentes culturas e grande orgulho nacionalista, os imigrantes nipônicos criaram suas próprias comunidades no Brasil. Com a notícia da redenção do Japão na guerra, a comunidade entra em conflito entre si, pois acreditar em tal desgraça é desonrar o Imperador Japonês. Logo surge uma gangue liderada pelo Coronel Watanabe impondo suicídio ou assassinato para os ditos desertores da bandeira oriental.

Takahashi (Tsuyoshi Ihara), ordenado pelo Coronel, passa a assassinar seus antigos companheiros utilizando uma espada e ao mesmo vai desconfiando das “verdades” ditas e escritas nos jornais sobre o fim da guerra. O conflito entre a verdade e a honra; o amor pela bandeira e o amor pela família se cruzam o tempo todo, pois a família de Takahashi desaprova os assassinatos. 

A distorção em certas imagens na tela nos dá um ar de confusão que o protagonista está inserido.
Recheado de belas imagens e cores e uma trilha sonora levemente maçante, Corações Sujos mistura um ar de western com um “quê” de samurai, em um drama vivido num Brasil conflitante; que além de seu contexto histórico nos remete a uma maturidade nos temas abordados pelo cinema nacional.



Estréia hoje dia 17 de agosto nos cinemas.

Gustavo Halfen

domingo, 5 de agosto de 2012

A Beira do Caminho


Direção: Breno Silveira
País: Brasil
Ano: 2012
Nota: 6,5


João (João Miguel) é um caminhoneiro rabugento e frustrado com um passado que insiste em lembrar, mas luta para esquecer. Em umas de suas viagens pelo interior de São Paulo ele percebe que há um caroneiro em sua caçamba: Duda (Vinícius Nascimento), um garoto órfão, que parte sozinho a procura do seu pai na capital paulista. Juntos eles terão que alternar o papel de pai e filho para conseguirem sobreviver com as perdas do passado e preencher as lacunas do presente.
Devido ao baixo orçamento do cinema nacional, Breno Silveira aposta suas fichas nas atuações, roteiro e paisagens brasileiras. Costurados a uma trilha sonora inspirada nas velhas canções de Roberto Carlos, seu filme é dividido em capítulos apresentados na forma de frase de para choques de caminhões, que perambulam o empoeirado interior paulista.


A primeira frase de pára-choque de caminhão apresentado no longa nos remete a amargura de João; “Mantenha Distância”; ao encontrar e aceitar Duda em sua viagem, a próxima frase focada nas velhas caçambas pela estrada é “Viver é desenhar sem borracha”; e assim o diretor nos transporta para as estradas brasileiras e nos faz refletir sobre nossas vidas, entrando assim no clima do drama vivido por João e Duda.
A Beira do Caminho não deixa de ser um roadie movie baseado nas velhas canções do “rei” que nos contempla com um Brasil mais próximo do que imaginamos.

Estreia dia 10 de agosto nos cinemas.

Gustavo Halfen

domingo, 22 de julho de 2012

Heleno


Direção: José Henrique Fonseca
País: Brasil
Ano: 2011


Heleno de Freitas foi um jogador de futebol conhecido nos anos 1950 e considerado o jogador mais caro na America Latina na época.
Baseado na vida do jogador, o longa nos remete ao passado pelo preto e branco belíssimo enfatizando o charme da época e de Heleno (Rodrigo Santoro) com uma trilha e um figurino elegante.


Intercalando a fase de glamour do jogador, com sua época de total loucura em uma clínica, o longa nos mostra detalhadamente a inflação do ego de Heleno, seu temperamento explosivo e de difícil relacionamento com seus colegas de campo, seu vicio por éter e o inicio da loucura.


Utilizando breves referências que nos remetem ao cinema noir, o diretor José Henrique Fonseca nos contempla com enquadramento recheados de sutilezas e ao mesmo tempo com uma perplexidade reveladora em cada close do rosto de Rodrigo Santoro.
Um filme charmoso e delicado sobre o delírio do primeiro “craque problema” da estória do futebol brasileiro.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Na Estrada (On The Road)


Direção: Walter Salles
País: França, Reino Unido, EUA, Brasil
Ano: 2012
Nota: 6,5


Baseado na biografia homônima do autor beatnik Jack Kerouac, Na Estrada é um marco na cultura pop mundial, que influenciou mitos como Bob Dylan e Jim Morrison. O livro de Kerouac é um diário de suas viagens e encontros com amigos artistas pelos Estados Unidos na década de 1940. Seus relatos, conhecidos como a bíblia beat foram o início de toda uma busca pela liberdade em uma época em que a palavra rock ainda significava rocha. On The Road inaugura assim, o inicio da queda da “cultura do medo” e do conservadorismo em um mundo pós guerra.


A adaptação para o cinema feita por Walter Salles, apesar da boa aparência, peca na falta de estrutura dramática. Em um filme onde os detalhes da sujeira das velhas sandálias surradas e do vidro dos carros que Sal (Jack Kerouac, protagonizado por Sam Riley) pegava carona, nos passam o aspecto da falta de vaidade física dos personagens, é de se esperar então, um engrandecimento humano interior dos mesmos; fato que não acontece.


A superficialidade dos personagens torna o filme vazio. A pouca exploração da mente inquieta de Sal e seus amigos e do uso abusivo de heroína e benzedrina, decepciona àqueles que imaginavam ver nas telas os delírios dos personagens e seus alter egos.
A difícil adaptação aos cinemas dos relatos de Kerouac é tediosa; e carente em onirismo e fantasia.

Estréia nos cinemas dia 13 de julho.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Amarelo Manga


Direção: Claudio Assis
País: Brasil
Ano: 2002
Nota: 7,5


Amarelo Manga é uma espécie de caleidoscópio sociológico brasileiro.
Dunga (interpretado pelo genial Matheu Nachtergaele) é um homossexual bem afeminado que limpa e cozinha em um hotel chamado Texas Hotel, além disso ele é apaixonado pelo açougueiro Wellington Kanibal (Chico Diaz); casado com a crente Kika (Dira Paes), Wellington tem um caso com outra mulher. Kika por sua vez, descobre sua traição e quer vingança. Paralelo a isso, Ligia (Leona Cavalli) tem um bar, onde é abusada pelo machismo de seus clientes o tempo todo, um deles é o necrófilo Isaac (Jonas Bloch).


Claudio Assis em seu primeiro longa, abusa dos planos vistos de cima, e de forma agressiva não poupa mostrar a nudez e a violência, sendo ambas presentes no dia a dia dos personagens. A própria capa do filme possui uma vagina cor amarelo manga, cor que representa em partes do filme a esperança e a mudança, mas também o envelhecimento, o amarelado da ferrugem, o escarro e os dentes. Como uma cobra que devora o próprio rabo, os personagens se auto punem e caem nas próprias ciladas da confusa mente humana dos brasileiros do subúrbio.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

E aí, comeu?


Direção: Felipe Joffily
País: Brasil
Ano: 2012
Nota: 7,0


Honório (Marcos Palmeira), Afonso (Emilio Orciollo Netto) e Fernando (Bruno Mazzeo) são três amigos com seus trinta e poucos anos, tentando viver a vida noturna e masculina moderna. Honório é casado, mas vive no bar com os amigos, e desconfia que está sendo traído pela esposa; Afonso, buscando terminar seu livro interminável, é apaixonado por uma prostituta e Fernando está se divorciando e se envolve com uma adolescente. O filme se passa na maior parte do tempo no Bar Harmonia e tem seu principal foco nas conversas masculinas de bar. Conversas estas, bem fiéis a realidade e não tão conhecidas pelo publico feminino.


Um filme para todos os gêneros, com piadas inteligentes e sarcásticas. Destaque para as atuações e excelente trilha sonora.
Um filme que muitos vão se identificar e rir de si mesmo.