quinta-feira, 12 de julho de 2012

Na Estrada (On The Road)


Direção: Walter Salles
País: França, Reino Unido, EUA, Brasil
Ano: 2012
Nota: 6,5


Baseado na biografia homônima do autor beatnik Jack Kerouac, Na Estrada é um marco na cultura pop mundial, que influenciou mitos como Bob Dylan e Jim Morrison. O livro de Kerouac é um diário de suas viagens e encontros com amigos artistas pelos Estados Unidos na década de 1940. Seus relatos, conhecidos como a bíblia beat foram o início de toda uma busca pela liberdade em uma época em que a palavra rock ainda significava rocha. On The Road inaugura assim, o inicio da queda da “cultura do medo” e do conservadorismo em um mundo pós guerra.


A adaptação para o cinema feita por Walter Salles, apesar da boa aparência, peca na falta de estrutura dramática. Em um filme onde os detalhes da sujeira das velhas sandálias surradas e do vidro dos carros que Sal (Jack Kerouac, protagonizado por Sam Riley) pegava carona, nos passam o aspecto da falta de vaidade física dos personagens, é de se esperar então, um engrandecimento humano interior dos mesmos; fato que não acontece.


A superficialidade dos personagens torna o filme vazio. A pouca exploração da mente inquieta de Sal e seus amigos e do uso abusivo de heroína e benzedrina, decepciona àqueles que imaginavam ver nas telas os delírios dos personagens e seus alter egos.
A difícil adaptação aos cinemas dos relatos de Kerouac é tediosa; e carente em onirismo e fantasia.

Estréia nos cinemas dia 13 de julho.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Para Roma Com Amor (To Rome With Love)


Direção: Woody Allen
País: EUA, Itália
Ano: 2012
Nota: 7,5


Para Roma com Amor é uma comédia gostosa e inteligente sem muita pretensão. Wood Allen agora explora o sentimento de culpa dos casais por um prazer proibido, que cruzou com cada um dos personagens na bela capital italiana.


Cinco estórias de casais de certa forma infelizes ou em seus relacionamentos amorosos, ou frustrados com a vida em si, são contemplados com alguns prazeres da vida; dinheiro, fama e sexo são os alicerces das intrigas do longa.
Mantendo a eficiência dos diálogos e ao mesmo tempo criticando a cultura pop o diretor nova-iorquino consegue ser engraçado sem ser chato; característica difícil nas comédias pós contemporâneas.


Sem exageros tanto na auto-análise terapêutica quanto na exploração turística da cidade citada, o longa passeia pelas ruas de Roma nos deixando um ar de um rápido tour, como aqueles turistas sem tempo para ver tudo em passeios pela Europa. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Fale Com Ela (Hable con Ella)


Direção: Pedro Almodóvar
País: Espanha
Ano: 2002
Nota: 9,0


O Jornalista Marco (Dario Grandinetti) se envolve com um a toureira Lydia (Rosaria Flores), após alguns meses Lydia sofre um acidente em uma tourada e entra em coma. No hospital onde Lydia está internada, Marco conhece o enfermeiro Benigno (Javier Cámara) que cuida da bailarina em coma Alicia (Leonor Watling). Benigno é extremamente cuidadoso com a paciente Alicia, e embora tenha um jeito afeminado, não consegue esconder sua paixão obsessiva por Alicia.


Mais uma vez Almodóvar explora situações bizarras ligadas ao sexo de forma dramática e inteligente. Desta vez sem abusar no excesso de cores (característica comum em seus filmes), Almodóvar explora o amor sem a necessidade da fala; homenageando o cinema mudo, ele mostra o amor em forma de imagens; através da música, o diretor explora o lado mais delicado e profundo do cantor e compositor Caetano Veloso em certa cena do longa.

Recheado de reviravoltas, o nome Fale Com Ela não poderia se encaixar tão perfeitamente no tema do filme espanhol.

domingo, 8 de julho de 2012

Réquiem Para Um Sonho (Réquiem for a Dream)


Direção: Darren Aronofsky
País: EUA
Ano: 2000
Nota: 7,5


Réquiem para Um Sonho trata sobre as diferentes formas que as pessoas buscam a felicidade através de sonhos que podem ser alcançados até mesmo através de um comprimido. Sra Goldfard é uma idosa, viúva que possui com um filho ausente em sua vida. Ela se sente sozinha até que recebe um trote (?) dizendo que irá ser entrevistada em seu programa favorito. Isso a deixa excitada e ela começa a tomar remédios para emagrecer. Paralelo a isso, seu filho com a namorada e um amigo começam a vender heroína e se tornam viciados a ponto de se prostituírem para tal.


Embora filme trate de drogas de forma superficial, o tema principal não foge da busca de cada um para atingir seus sonhos e ser feliz.

Um filme como uma montagem incrível e relativamente barata, somando a trilha sonora, são umas das principais assinaturas de D. Aronofsky.

sábado, 7 de julho de 2012

Tolerância Zero (The Believer)


Direção: Henry Bean
País: EUA
Ano: 2001
Nota: 6,0


Danny (Ryan Gosling) é um neonazista típico, cabelo raspado, coturno, suspensório, camiseta com a suástica. Ao contrário de seus colegas, Danny não é um ignorante à sua causa; ele conhece toda história do judaísmo, crenças e rituais. Na primeira cena do filme, Danny espanca um judeu e pede para o mesmo bater nele. Bem sutilmente o diretor Henry Bean mostra certa autopunição nas atitudes anti-semitas do protagonista, que em pouco tempo se revela um judeu nazista.


Baseado em uma história de real de um judeu nazista chamado Danny Burros que ao publicarem uma notícia de sua origem na mídia, ele cometeu suicídio. Porém, a história do personagem principal do filme, vai além e mais dramatizada, ela instiga e deixa o espectador surpreso.
Apesar das grandes atuações e da história original, o longa não foge do clichê dos milhares de filmes de dramas judaicos. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um Método Perigoso (A Dangerous Method)


Direção: David Cronenberg
País: Reino Unido, Alemanha, Canadá
Ano: 2011
Nota: 5,5


Um Método Perigoso mostra-nos os primeiros passos de Jung (Michael Fassbender) ao tentar a cura das pessoas através da psicanálise e seus primeiros contatos com Freud (Viggo Mortensen).
O filme foca mais no início dos testes de psicanálise de Jung com a paciente Sabina (Keira Knightley) e a paixão que ela desperta nele. A idéia em cima da psicanálise é bem superficial e mostra Jung como o aluno inocente e ético e Freud como o vilão da história (para os que pouco entendem de psicologia, sabem que a história não foi bem assim).


Tanto Viggo Mortensen como Michael Fassbender atuam muito bem, é uma pena que K. Knightley represente a personagem de forma tão forçada e não convincente. Em certas cenas, a personagem tem ataques de pânico e se assemelha a um chimpanzé histérico, em tanta outras até mesmo na sua primeira cena de sexo, ao atingir o orgasmo ela nem sequer cora o rosto.


Talvez seja o pior filme dirigido por Cronenberg; estória distorcida, algumas péssimas atuações e cenários de fundo nada convincentes que dispensa comentários. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Assassino em Mim (The Killer Inside Me)


Direção: Michael Winterbotton
País: EUA, Suécia, Reino Unido, Canadá
Ano: 2010
Nota: 8,0


Lou Ford (Casey Affleck) com sua carinha de garoto bonzinho é um policial respeitado em uma pequena cidade do Texas. Ao se apaixonar por uma prostituta Joyce (Jessica Alba) que também simpatiza com seu sadismo sexual, lentamente ele vai liberando sua “vontade de violência”. Junto a Joyce, eles planejam matar Elmer Conway que foi o possível assassino de seu irmão adotivo no passado. Porém no ato, Lou mata Conway e ao mesmo tempo espanca Joyce de forma extremamente fria e agressiva; cada soco é filmado com bastante movimento de câmera e mostra o rosto de Joyce ficando desfigurado a cada murro. Por conseqüência disso ele começa uma jornada de auto-aceitação e planejamentos de futuras mortes.


Baseado no Romance homônimo de Jim Thompson, o diretor M. Winterbotton nos mostra de forma clara a aceitação psicológica de um assassino por natureza. O longa possui cenas de estrema violência que são apaziguadas pela trilha sonora country alegrinha.


Um filme que surpreende tanto pela fácil auto-aprovação do protagonista, como pelas reviravoltas planejadas do mesmo para que seus planos obtenham sucesso.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Alien, O 8º Passageiro (Alien)


Direção: Ridley Scott
País: EUA. Reino Unido
Ano: 1979
Nota: 8,0


O primeiro capítulo da saga de ficção cientifica que mistura terror e suspense é realmente visionária. Em uma expedição cientifica secreta, a nave Nostromo pousa em um planeta hostil, onde os sete passageiros encontram uma nave abandonada vítima de alguma doença ou guerra. Um dos tripulantes é atacado e leva um alien para dentro da nave. A partir daí inicia-se uma disputa de sobrevivência ente o Alien e toda a tripulação.


Recheado de sustos e tensão, Alien foi um  marco do sci-fi que tornou-se uma das maiores franquias do cinema, juntando os maiores diretores das ultimas décadas: Redley Scott (Alien), James Cameron (Aliens), David Fincher (Alien 3) e Jean Pierre Jeunet (Alien , A Ressureição).


terça-feira, 3 de julho de 2012

Manderlay


Direção: Lars Von Trier
País: Dinamarca, Suécia, Holanda
Ano: 2005
Nota: 6,0


Manderlay, a continuação da trilogia iniciada com o fabuloso Dogville não supera expectativas. Tanto na história como na fantasia, Manderlay perde, e feio para seu primogênito.
Após o sofrimento em Dogville, em uma fazenda onde as “leis” ainda não mudaram,
Grace (antes interpretada por Nicole Kidman, agora por Bryce Dallas Howard) neste momento luta pela liberdade dos negros mesmo após 70 anos da abolição da escravatura.


O longa lembra muito "Quanto Vale ou é Por Quilo?" de Sérgio Bianchi (ambos os filmes feitos no mesmo ano), na temática da exploração racial que aconteceu na América, tanto na latina como na anglo saxônica, abordando a mudança de valores que não aconteceu após a libertação da escravatura.


O longa mantém a mesma formula do primeiro da trilogia, os cenários continuam sendo marcas no chão deixando o espectador usar a imaginação como bem quiser; a narração de John Hurt continua fantasiosa dando um ar de sarcásmo e a trama é dividida em capítulos. Em comparação com Dogville, Manderlay perde o brilho. Porem não deixa de ser um bom filme de Lars Von Trier.

domingo, 1 de julho de 2012

God Bless America


Direção: Bobcat Goldthwait
País: EUA
Ano: 2011
Nota: 8,5


Frank (Joel Murray) é solitário, coberto de desilusões, ele gasta seu tempo vendo televisão; costume este, que o deixa cada vez mais irritado com a programação estúpida e com as celebridades do momento que ficam famosas por serem burras e idiotas; como Chloe, uma menina que participa de um reality show e se irrita ao ganhar um carro dos pais, que não era exatamente o que ela queria. 




Ao ser mandado embora de seu trabalho, Frank realmente surta e decide matar àqueles que possuem uma vida tão fútil dentro do sistema. Logoo ele consegue uma companheira; Roxy (Tara Lynne Barr) é uma adolescente que também se irrita com as mesmas situações que Frank.


God Bless America é uma crítica pesada, cômica e violenta do sistema americano liberal capitalista. Comparando os EUA a Roma antiga, Frank cita a decadência de Roma com a política pão e circo estadunidense. Passando ao espectador toda a indignação da futilidade norte americana, o espectador transparece os desejos de raiva do protagonista da estória, e passa a ser cúmplice sem pena dos assassinatos das pessoas “inocentes” ao longo do filme.