quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead)


Direção: Zack Snyder
País: EUA, Canadá, Japão
Ano: 2004




Depois que G. Romero criou o novo arquétipo de zumbis em 1968 com A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead), é difícil pensar em outro filme que não tenha usado seu trabalho como referência. Dez anos depois G. Romero lança uma continuação chamada Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead), onde a epidemia “zumbística” tomou proporções globais e um grupo de pessoas se refugia em um shopping; no longa Romero brinca com o consumismo em uma sociedade apocalíptica, misturando ação e comédia. Até os anos 2000, vários filmes “lado b”, no estilo terror trash foram feitos com o tema “mortos vivos” e, coincidentemente em 2002 duas grandes produções foram lançadas: Resident Evil, uma adaptação do jogo de computador homônimo e Extermínio (28 Days Later), filme de Danny Boyle sobre uma contaminação de um vírus que tomou conta de todo o Reino Unido. Ambos os filmes foram importantes tanto na re-popularização de filmes do gênero, como na criação de um novo estereótipo de zumbis que agora são fortes e rápidos. Com a moda de zumbis tomando conta dos cinéfilos, não demorou para a FOX Filmes encomendar um remake de Despertar dos Mortos e o diretor convidado foi o estreante em longas metragens, Zack Snyder, conhecido no mercado publicitário e videoclipes.


Na trama, Ana (Sarah Polley) é um simpática enfermeira que ao chegar em casa, no aconchego dos braços de seu marido, ambos dormem tranquilamente, quando no amanhecer uma criança vizinha entra no quarto e morde seu marido. A partir daí Ana começa uma fuga dos mortos vivos pela cidade que está tomada por zumbis. As cenas da cidade vistas de cima são impressionantes e mostram acidentes e explosões, dando todo o clima apocalíptico do filme original, que é apoiado com os créditos iniciais com cenas de jornais na TV expondo a destruição e a o caos que a cidade entrou. Tudo isso acompanhado pela ótima trilha sonora. Ana se junta com um grupo ainda não “contaminado” e invadem um shopping para se proteger.


Zack Snyder explora as desavenças do grupo vivendo enclausurado no shopping e brinca com o consumismo, lembrando perfeitamente o filme original que recebeu está refilmagem adaptada para a atualidade satisfazendo os fãs de Romero e do gênero.



Gustavo Halfen

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Reflexos (The Broken)


Direção: Sean Ellis
País: Reino Unido, França
Ano: 2008





Uma das fórmulas do sucesso em longas metragens, é o diretor nos expor uma idéia original que nos dê a impossibilidade de imaginar sua justificativa, assim nos surpreendendo com um desfecho final. The Broken tem uma idéia autêntica, porém seu autor não soube aproveitá-la.


Gina McVey (Lena Headey) é uma médica que dá uma festa de aniversário surpresa para seu pai, chamando seu namorado, irmão e sua cunhada para o evento. Na ocasião um espelho se quebra. Tempo depois ela segue na rua uma mulher idêntica a ela, e descobre que tal mulher misteriosa tem uma casa idêntica a dela. Voltando pra casa um pouco confusa ela sofre um acidente e perde parte da memória de curto prazo. Alucinações e realidade começam a se misturar, seu namorado já não é mais o mesmo e conflitos com seu reflexo nos espelho agora são constantes em seus sonhos.


Em Cashback, o diretor Sean Ellis consegue nos surpreender em seu primeiro longa com uma idéia original onde ele explora todas as técnicas cinematográficas a seu dispor para nos manter presos em um mundo fantasioso. Em Reflexos, migrando agora para o gênero suspense ele nos presenteia com uma idéia legítima, e explora bastante câmera lenta (como em seu filme anterior), além da trilha sonora e sustos no espectador que são característica óbvias no gênero. Porém, a estória é maçante e sem sentido, e seu desfecho final beira o ridículo e nos dá a impressão de que Sean Ellis não sabia como terminar o filme, nos dando a sensação de perda de tempo e desperdício de um ótimo elenco e uma produção tão fina e cuidadosa.



Gustavo Halfen

sábado, 1 de setembro de 2012

Pusher 3: I`m the angel of death


Direção Nicolas Winding Refn
País: Dinamarca
Ano: 2005




Em 1996 Nicolas Winding Refn aos 26 anos, lança seu primeiro longa: Pusher; que ficou conhecido pelo publico undergorund europeu. Com o fracasso de bilheteria do filme Fear X e o publico pedindo uma sequência de Pusher, o diretor se obrigou a fazê-lo.


Em Pusher o protagonista é Frank (Kim Bodnia) um revendedor de drogas; em Pusher II o personagem principal é Tonny (Mads Mikkelsen) um amigo de Frank que no primeiro filme da sequência é espancado pelo próprio Frank. Ambos devem dinheiro ao traficante Milo (Zlatko Buric) que é o protagonista do terceiro filme da série.


A estória de Milo se passa em uma noite onde ele está tentando largar do vicio das drogas e precisa cozinhar pra 45 pessoas no aniversario de sua filha. Ao mesmo tempo ele entrega um pacote de drogas para Mohammed (Ilyas Agac) vender, que não o devolve a tempo e outros vendedores vêm cobrar as dívidas de Milo.


Toda a idéia da trilogia Pusher é em cada filme um dos personagens coadjuvantes no anterior é agora o principal, e acompanha o protagonista que quase nunca sai de cena, tentando resolver seus problemas com o tráfico, envolvendo a família e amigos, mostrando então, um lado mais humano do personagem. As câmeras são levadas na mão e os atores têm total liberdade para andar pelo ambiente que (quase) sempre é real (não montagem de estúdio). E no final as coisas não são totalmente resolvidas, ficando aberto para uma possível continuação.

O diretor Nicolas Refn e o protagonista de Pusher 3, Zlatko Buric.

Nicolas W. Refn deixou sua assinatura na trilogia Pusher, que agora está sendo vista e revista com seu sucesso mundial de Drive, seu primeiro filme rodado e produzido nos EUA.

Gustavo Halfen

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter)


Direção: Timur Bekmambetov
País: EUA
Ano: 2012





Adaptações que misturam realidade e ficção, onde fatos históricos são revelados como pretexto para camuflar e/ou expor algo sobrenatural sempre me fascinaram. As lendárias estórias que vampiros sempre existiram a pertenciam a maçonaria e a outras organizações de conspiração, quase sempre obtiveram sucesso e nos trouxeram um pouco de fantasia na história da humanidade. Seth Grahame-Smith autor do livro adaptado ao cinema, a pouco tempo lançou um livro chamado Orgulho e Preconceito e Zumbis que se tornou um dos mais vendidos dos EUA, onde ele debocha do romance da escritora Jane Austen e faz uma crítica metafórica a sociedade. Porem no longa roteirizado pelo mesmo autor, ele exacerba o patriotismo estadunidense e apresenta uma estória mal contada.


Na trama, Abraham Lincoln (Benjamim Walker) vê sua mãe ser assassinada por um vampiro e dedica-se a se tornar um caçador destes seres sobrenaturais. Lincoln cresce e se torna presidente dos EUA e a guerra da sucessão na verdade é uma luta contra estes seres malignos e pela liberdade dos negros, onde o bem (EUA) luta contra o mal.

Além de uma estória oportunista de patriotismo chavão, a forma que a narrativa se desenvolve é péssima, as informações são “vomitadas” rapidamente e a todo momento novos personagens são inseridos. Os efeitos especiais são terríveis para um filme de um orçamento de 70 milhões de dólares, e as cenas de luta são camufladas por cortes excessivos. Nem os atores conseguem salvar o filme; o protagonista herói estadunidense é um personagem superficial e sem sal.



Estréia dia 31 de agosto nos cinemas.

Gustavo Halfen

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

THX 1138


Direção: George Lucas
País: EUA
Ano: 1971




É notável quando a intenção de um diretor cinematográfico é de entretenimento e quando é de incômodo. A forma como THX 1138 foi filmado utilizando ambientes minimalistas com exageros na cor branca, vozes robóticas e tranqüilas com intenções cínicas e definições de pessoas e situações através de números, transparece para o espectador a sensação de uma frieza escalafobética e de um futuro apocalíptico.


Ao início do longa temos a exibição de um trailer de um filme sobre um homem que vai para o futuro e vê as maravilhas que a tecnologia aliada ao homem está fazendo; em seguida iniciam-se cenas de confessionários onde as pessoas imploram de forma depressiva para aumentarem suas dozes de remédios pois não conseguem se concentrar, assim as cenas são cortadas pela metade e vários números e códigos são colocados na tela. Certamente George Lucas estava nos alertando de não sermos tão esperançosos com o futuro aliado as máquinas.


Na sociedade futurística criada por G. Lucas as pessoas vivem no subsolo da terra e são sedadas constantemente para não possuírem sentimentos, libido sexual e manterem sua concentração quando estão trabalhando e são observadas e controladas 24 horas por dia. Curiosamente os cidadãos constroem os robôs que serão depois usados para o controle ditatorial contra os próprios seres humanos. THX 1138 (Robert Duvall) é o nome de um cidadão comum vivendo no futuro. Ele mora com LUH 3417 (Maggie McOmie), uma companheira de apartamento escolhida pelas máquinas aleatoriamente. LUH pára de tomar suas medicações e intencionalmente começa a dar pílulas placebo para THX. Este percebe sua perda de concentração no trabalho e começa a questionar o modo de vida dos humanos nesta sociedade. Logo LUH e THX se apaixonam e decidem abandonar seus trabalhos e fugir para a crosta terrestre. THX é então acusado de perversão sexual, evasão farmacológica e transgressão. Separado de LUH ele fará o possível para burlar o sistema, fugir e encontrar LUH novamente.


É impossível não perceber as referências dos livros Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley) e 1984 (George Orwell), além de um profecia escatológica, o diretor faz uma crítica atemporal a nossa sociedade cada vez mais dependente de tecnologia e medicamentos e lentamente mais fria e controladora. THX 1138 tornou-se uma referência obrigatória até hoje aos filmes de ficção, notável de Blade Runner á Matrix.

Gustavo Halfen

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Rock of Ages: O Filme (Rock of Ages)


Direção: Adam Shankman
País: EUA
Ano: 2012




Existe um certo relacionamento de amor e ódio com musicais, pois são muitas as variáveis que podem decepcionar o espectador: a interpretação e voz dos atores, as danças, as músicas, o cenários e o contexto em si, claro! No caso de Rock of Ages a intenção é boa, os protagonistas são ruins, mas quem salva o musical são os coadjuvantes!



A estória se passa no final dos anos 1980 quando Sherrie (Julianne Hough), uma garota do interior dos EUA vai para Los Angeles tentar a sorte como cantora. Como de praxe, as coisas não saem como planejado e ela conhece Drew (Diego Boneta), um jovem garçom de uma casa de shows chamada The Bourbon Room, que sonha ser um rockstar e a leva para trabalhar com ele. Ambos os protagonistas são péssimos intérpretes que irão agradar talvez somente ao público mais jovem.



Mas quem rouba a cena mesmo são Tom Cruise, Russell Brand e Alec Baldwin; Tom Cruise se encaixou perfeitamente no papel de Stacee Jaxx, um lenda do rock, sex simbol, vítima da fama e alcoólatra em decadência. Alec Baldwin interpreta Dennis, o dono do The Bourbon Room que espera quitar suas dívidas com a produção do ultimo show do Arsenal (banda de Stacee Jaxx), já Russel Brand é Loony, o “braço direito” de Dennis que ajuda na produção dos shows; uma das partes mais cômicas do longa é relação homossexual de ambos os personagens que cantam juntos “Can`t Fight This Feelling Anymore”.



A intenção do longa é mostrar as várias vertentes do rock poser anos 1980, seu estilo de se vestir e o clima de Hollywood na época, além de o início de sua decadência com a chegada do pop no final da década. Vários mashups (junção de duas músicas em uma só) são executados de forma satisfatória durante o musical. As cenas de sexo e drogas são bastante sutis, devido ao publico alvo que o longa deseja atingir.



Quem gosta de musicais e é apaixonado pelos grupos de rock e seus hits dos anos 1980 pode se decepcionar com a trama principal enfadonha do filme, que talvez não se salve com as inusitadas situações passadas pelos coadjuvantes.

Estréia hoje, dia 24 de agosto nos cinemas!


Gustavo Halfen

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O Ditador (The Dictator)


Direção: Larry Charles
País: EUA
Ano: 2012
 


  
Comédias exageradas e com paródias costumam ser bobas e idiotas, e certa medida de humor negro pode muitas vezes irritar o público. Embora o humor negro de O Ditador seja mais que ácido, parece que o povo estadunidense ou não entende, ou gosta de ser zombado, pois tamanha ousadia do longa é de se esperar que muitos saiam da salas de cinema com o nariz torto; fato já ocorrido em Bruno (2009), filme do mesmo diretor.


Na trama, Aladeen (Sacha Baron Cohen) é um ditador caricato exatamente como a imprensa atual tentar mostrar-nos os “mega milionários” do oriente médio: egocentristas e idiotas que banalizam a morte, adoram armas nucleares e pagam para o obter toda e qualquer banalidade. Aladeen parte para os EUA com o intuito de fazer um discurso sobre sua não aceitação às condições impostas pela ONU para seu governo. Já em território yankee, o ditador é traído pelo seu “braço direito” que fez um trato com grandes petrolíferas capitalistas e é substituído por seu sósia.


Aladeen conhece então Zoey (Anna Faris), uma feminista libertária típica da atualidade: vegetariana de esquerda que possui uma loja de orgânicos onde abriga imigrantes. O impacto cultural entre os dois personagens resume todo o comportamento da população estadunidense no filme.


O preconceito contra imigrantes árabes nos EUA e o medo pós “11 de setembro” embora clichê, é o prato principal das piadas do filme de Larry Charles. Os deboches da cultura anglo saxônica vai desde as peças da Broadway à monumentos simbólicos e turísticos, passando por filmes como O Iluminado (Stanley Kubrick) e Rocky (John Avildsen). Indo além, o protagonista em seu principal discurso deixa claro que a república democrática não passa de uma ditadura, onde a imprensa parece livre, mas não é; adulteram-se as eleições; torturam-se prisioneiros estrangeiros; mentem sobre as guerras e usam imprensa para assustar o povo.


Embora O Ditador seja um filme caricato repleto de boas piadas, com um tema já bastante explorado, seu humor negro é extremamente reflexivo e sério e nos alerta a uma política externa estadunidense nada engraçada.

Estréia nos cinemas dias 24 de agosto.

Gustavo Halfen

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Videodrome – A Síndrome do Vídeo (Videodrome)


Direção: David Cronenberg
País: Canadá
Ano: 1983



Max Renn (James Woods) é dono de uma pequena estação de TV conhecida por passar programas de pornografia barata. Quando ele obtém acesso a vídeos de pornografia com excesso de violência e mortes, ele percebe que pode alcançar um novo nicho no mercado. Pesquisando a origem destes vídeos com a ajuda de Nikki Brand (Deborah Harry), uma jornalista investigativa, ele descobre que tais vídeos conhecidos por Videodrome possuem uma tecnologia avançada que causam danos cerebrais no telespectador fazendo-o viciar-se nos filmes e ser controlado pelos mesmos.



Cronenberg nos mergulha em um mundo onde a realidade e a alucinação se misturam de forma tão natural, impedindo-nos a definição da mesma. Embora bizarro, Max Reen entra na trama de forma intensa e séria, prendendo o espectador neste clássico moderno de terror sci-fi.


O diretor explora a realidade vivida no inicio da década de 1980 com uma metáfora do poder que a televisão e os outros meios de comunicação exerciam e exercem no comportamento e tendências da população. Com cenas de explícito bizarrismo; em uma cicatriz no ventre causada pelo Videodrome, Max dá a luz ora a uma arma, ora à fita que causa alucinações, conceituando a produção humana de mecanismos tecnológicos de autodestruição que vai de armamentos à entretenimentos.

Cartazes alternativos e de outros países.



Gustavo Halfen

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Corações Sujos


Direção: Vicente Amorim
País: Brasil
Ano: 2012



Após Segunda Guerra Mundial, o Brasil abrigava a maior colônia de japoneses do mundo. Provindos de um país repleto de diferentes culturas e grande orgulho nacionalista, os imigrantes nipônicos criaram suas próprias comunidades no Brasil. Com a notícia da redenção do Japão na guerra, a comunidade entra em conflito entre si, pois acreditar em tal desgraça é desonrar o Imperador Japonês. Logo surge uma gangue liderada pelo Coronel Watanabe impondo suicídio ou assassinato para os ditos desertores da bandeira oriental.

Takahashi (Tsuyoshi Ihara), ordenado pelo Coronel, passa a assassinar seus antigos companheiros utilizando uma espada e ao mesmo vai desconfiando das “verdades” ditas e escritas nos jornais sobre o fim da guerra. O conflito entre a verdade e a honra; o amor pela bandeira e o amor pela família se cruzam o tempo todo, pois a família de Takahashi desaprova os assassinatos. 

A distorção em certas imagens na tela nos dá um ar de confusão que o protagonista está inserido.
Recheado de belas imagens e cores e uma trilha sonora levemente maçante, Corações Sujos mistura um ar de western com um “quê” de samurai, em um drama vivido num Brasil conflitante; que além de seu contexto histórico nos remete a uma maturidade nos temas abordados pelo cinema nacional.



Estréia hoje dia 17 de agosto nos cinemas.

Gustavo Halfen